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terça-feira, 6 de março de 2012

SE UMA EMPRESA ENTRAR 100% NA SUSTENTABILIDADE, ELA QUEBRA", DIZ ESPECIALISTA EM MARKETING

Para Albélio Dias, vice-presidente de sustentabilidade da Academia Mineira de Marketing, a sustentabilidade é uma oportunidade de negócio e como tal deve ser aproveitada

 

Albélio Dias, vice-presidente de sustentabilidade da Academia Mineira de Marketing, quebrou alguns paradigmas ao falar de sustentabilidade na palestra realizada nesta semana no B.I. International de Belo Horizonte, com o tema "Sustentabilidade, um ótimo negócio".

 

Albélio afirma que a sustentabilidade é uma oportunidade de negócio e como tal deve ser aproveitada. Esse pensamento, segundo ele, é a única maneira de propagar efetiva e continuamente as ações, de fato, sustentáveis e não apenas "verdes".

Confira abaixo a íntegra da entrevista com o especialista.

 

As empresas sabem realmente o que é sustentabilidade?

 

Existe uma confusão entre empresa sustentável e empresa social. A empresa não é social, é capitalista e pode contribuir para a sustentabilidade.

 

O que é sustentabilidade e o que é empresa social?

 

Sustentabilidade de acordo com o conceito da ONU é "o desenvolvimento sustentável é aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem às suas próprias necessidades". A sustentabilidade na empresa é garantir a sobrevivência do negócio infinitamente, ou seja, é capitalista e visa lucro. Já a empresa social, de acordo com Muhammad Yunus, prêmio Nobel da paz em 2006, é voltada para resolver problemas sociais, portanto não objetiva maximizar os lucros e não distribui o dividendo, ou seja a receita é reinvestida integralmente na melhoria de produtos e serviços com impacto social. Yunus criou, por exemplo, uma parceria com a multinacional Danone (Grameen Dadone Food) para produzir um iogurte fortalecido com vitaminas e sais minerais com preços acessíveis para combate à desnutrição.

 

Que tipo de contribuição uma empresa pode dar para a sustentabilidade?

 

As pessoas buscam qualidade de vida e tem desejado a sustentabilidade. As empresas devem encarar essas tendências como oportunidades. As empresas devem se perguntar: "em que essas mudanças se relacionam com o meu negócio?". A exigência dos clientes devem impactar e gerar mudanças, readequações e se tornar novas oportunidades.

 

Quais são as mudanças que a empresa deve fazer para se tornar sustentável?

Em primeiro lugar, é preciso implantar uma cultura sustentável, mobilizar as pessoas. Não existem fórmulas prontas, mas promover palestras, reuniões semanais para que todos possam contar quais as atitudes sustentáveis começaram a praticar na última semana, enfim, desenvolver estratégias para que as pessoas realmente vivam, entendam e apliquem a sustentabilidade. Isso faz aflorar a criatividade e a inovação para implementar ações sustentáveis. Para isso acontecer, é preciso incentivo da liderança, como estimular o intra-empreendedorismo, a inovação, flexibilizar processos para que todos desenvolvam atividades sustentáveis, também são atitudes importantes dentro das organizações.

 

Quais os cuidados que a empresa deve ter?

Se uma empresa entrar 100% na sustentabilidade, ela quebra. A sustentabilidade é um processo e como qualquer projeto exige investimento e retorno financeiro. Por isso, a empresa precisa escolher por onde começar, por um produto, por exemplo. A empresa será sustentável sem deixar de ser capitalista. Um exemplo é a GE, que desenvolveu, entre outros produtos, uma turbina de avião que possibilita o uso de biocombustível: é sustentável e ela ganha dinheiro com isso. Ou seja, a empresa precisa ter a sustentabilidade ligada ao negócio.

 

Qual o papel das escolas, universidades e escolas de negócio como condutoras da cultura sustentável?

Todo conceito de administração, empresa, gestão atual vieram de um modelo industrial, que é determinístico. As pessoas não foram formadas com a visão sustentável, ou seja, com a visão estratégica para o social e ambiental. Esse é o novo paradigma: a gestão e a formação de pessoas. Hoje vivemos na base da experimentação, da inovação e do empreendedorismo de alguns, mas precisamos de uma visão integrada organizacional direcionada para a sustentabilidade.

 

 

Qual o papel da inovação e do empreendedorismo na sustentabilidade?

O Brasil é empreendedor, é, inclusive, destaque na Semana Global do Empreendedorismo, por exemplo. No entanto, falta educar esses empreendedores com a visão de negócio. Muitas escolas não colocam isso de forma prioritária, por exemplo, existem professores falando de empreendedorismo sem nunca terem empreendido. O empreendedorismo se refere ao negócio e não necessariamente a abertura de uma empresa. Portanto, para uma companhia se tornar sustentável, precisará de uma boa dose de empreendedorismo para que surjam ideias inovadoras. Essas são questões de sobrevivência de uma empresa, necessárias para se manter competitiva.

 

O Brasil vive um momento paradoxal. Por um lado, possui consumidores que exigem mais das empresas ações sustentáveis, mas que não são, na sua maioria, sustentáveis no dia a dia. As empresas também estão, cada vez mais, levantando a bandeira da sustentabilidade, mas também não implementam uma cultura, de fato, sustentável. Concorda? Por que isso acontece?

 

Concordo. Falta a cultura sustentável, que acontece através de algumas ações:

 

- Educação: Desde o ensino fundamental, as crianças devem aprender pequenas ações sustentáveis, como acontece em Curitiba, por exemplo. Lá as pessoas aprendem desde cedo que não se pode jogar papel no chão.

 

- Consequência de uma ação não sustentável: Quando vivemos o racionamento de energia, as pessoas aprenderam a valorizar a água e a energia elétrica. Nem todos permaneceram com as mesmas atitudes por causa da cultura da abundância natural do Brasil, por isso a importância de outra ação:

 

- Conscientização: Campanhas realizadas pelo governo, ONG's, seja em mídias sociais ou das mais diversas maneiras, elas servem para causar a reflexão nas pessoas: "você é ou não responsável?". Um exemplo foi a campanha que o Greenpeace fez para os apaixonados pela Apple, questionando se eles estavam consumindo um produto sustentável. Como resultado, cerca de um milhão de clientes questionaram Steve Jobs, responsável pela Apple na época, sobre o que a empresa fazia em prol da sustentabilidade.

 

Afinal, como entender a sustentabilidade como um negócio?

 

A sustentabilidade é um processo de aprendizado, de debate. Para falar de sustentabilidade, falo do futuro, com o pé no presente; questiono "que tipo de futuro quero construir?" e a partir disso, penso um negócio que visa atender essa necessidade. As atitudes de responsabilidade sócio-ambiental são ações, mas a meta é a sustentabilidade, feita de maneira a gerar lucro.

 

Como aplicá-la?

Albélio: Para empresa aplicar a sustentabilidade, ela precisa levar em conta três fatores: a sociedade, os recursos e a tecnologia. Por exemplo: as empresas que vendem as máquinas de lavar louça que permite a limpeza com água fria (a maioria precisa de água quente para dissolver o produto que faz a higienização). Essas empresas pensaram na sociedade, que vai economizar a energia que esquentava a água e a conta vai ficar mais barata; nos recursos: precisamos racionar a energia e diante disso, desenvolveram a tecnologia. Resultado: contribuiu para o meio ambiente e gerou um produto que vai gerar lucro: essa é uma ação sustentável.

 

Fonte: B.I. International

MODELOS SUSTENTÁVEIS TRANSFORMAM RESÍDUOS EM ENERGIA E LUCROS

Nas últimas décadas, houve uma ampla mobilização entre os países por práticas e soluções que pudessem melhorar a relação do ser humano com o meio ambiente. Desde reuniões, como as realizadas em Copenhague, e até assinaturas de termos, como o protocolo de Kioto, boa parte das nações começou a pensar sobre como será o futuro ambiental do nosso planeta.

 

No mundo empresarial, o tema também começou a fazer parte da agenda de muitas organizações. Diversos empreendimentos começaram a pensar sobre a sustentabilidade e associar sua imagem a ações voltadas para a responsabilidade socioambiental. Bancos, indústrias, estatais e companhias de diferentes segmentos aderiram a essa prática. Como resultado, o tema tornou-se papo presente entre empresas e consumidores, configurando-se num posicionamento de ética e transparência para quem o adota.

 

No entanto, se antes o intuito era apenas transmitir a imagem de "politicamente correto", hoje, as questões de responsabilidade sócio/ambiental estão mostrando ser uma necessidade eminente sendo, inclusive, muito lucrativas para quem as utiliza. Uma dessas vertentes que está crescendo é a da agroenergia – com a busca de alternativas energéticas menos poluentes e com perspectivas de renovação continuada.

 

Esse tipo de fonte energética ganhou força, principalmente, com o crescente aumento do preço do petróleo, a possível instabilidade de suprimento e o risco das alterações climáticas derivadas da liberação excessiva de gases causadores de efeito estufa. E há iniciativas bem interessantes nesse segmento.

 

Sonho juvenil

 

Um empresário que arregaçou as mangas e acreditou nesse tipo de energia sustentável foi o administrador Alessandro Araújo Gomes. Antes mesmo de entrar na faculdade, ele alimentava o sonho de se envolver em um projeto sustentável. "A ideia de montar um negócio surgiu há muito tempo, numa aula de ecologia, em 1989. Depois de formado em Administração, com bastante vontade, comecei a procurar algo que juntasse preservação ambiental e geração de energia, e acabei encontrando o programa nacional do biodiesel, em 2006", conta.

 

Em 2008, Alessandro escreveu um plano de negócios e buscou financiamento junto a amigos e parentes para montar uma usina de produção de biodiesel. Com o projeto em mãos, a Prefeitura Municipal de Cruzeiro, em São Paulo, cedeu uma área no Distrito Industrial I, possibilitando, assim, o início das atividades. Lá é reciclado o óleo de fritura usado em restaurantes, cozinhas industriais, lanchonetes e condomínios para fabricação do combustível, bem como nas indústrias de sabão, ração e resinas.

 

Com uma produção mensal de 10 mil litros, o empresário sabe que ainda há um grande caminho a percorrer. "Para os próximos anos, esperamos um crescimento significativo na coleta de óleo de fritura usado e gorduras residuais em função do aumento da consciência da população. Estamos ajudando a plantar um futuro melhor. Sabemos que o trabalho é difícil e demorado, mas os frutos serão bons para todos", salienta.

 

A união faz a força

 

A iniciativa de utilizar resíduos para gerar energia também movimenta grandes entidades. A Petrobras Biocombustível, por exemplo, fez uma parceria com a rede de catadores de resíduos sólidos recicláveis do Estado do Ceará e implementou, em dezembro de 2011, uma Estação de Tratamento Primário de Óleo e Gorduras Residuais (OGR) na Usina de Quixadá, na cidade de Fortaleza.

 

A unidade tem capacidade de filtrar 30 mil litros/mês de óleo de cozinha e contribui para o desenvolvimento do Programa Cuidar, voltado à coleta e ao beneficiamento desse óleo destinado à produção de biodiesel. De acordo com Silvano Cavalcante, gerente de suprimento da usina, a implantação dessa unidade vem ajudar toda a região metropolitana. "Com esse avanço, aumenta a possibilidade de reaproveitamento desse óleo e diminui seus impactos ambientais e sociais, gerando postos de trabalho e agregando valor e renda a uma atividade já realizada pelos catadores", destaca.

 

A parceria da Petrobras Biocombustível com a cooperativa de catadores já se estende para outros locais como Bahia e Minas Gerais - estados onde estão localizadas suas usinas de biodiesel. Apesar de essas iniciativas serem realizadas em localidades específicas, as ações criam perspectivas de um mundo de possibilidades, em que a utilização dos recursos da natureza podem garantir não apenas um ecossistema no futuro, mas uma nova forma de fazer negócios.

 

Fonte: Administradores - 02/03/2012

 

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

PRIMEIRO PROGRAMA DE ATIVIDADES PARA INSTALAÇÃO DE FORNOS NA ÁFRICA É APROVADO NO MDL

Primeiro Programa de Atividades (PoA) focando no uso de fornos eficientes na África foi registrado com sucesso sob o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). Este projeto (CDM PoA 5067: Improved Cooking Stoves for Nigeria Programme of Activities),o quinto PoA registrado na África, visa a distribuição de 100 mil fornos na Nigéria nos próximos cinco anos.

 

A expectativa é que se consiga uma redução de até 250 mil toneladas de dióxido de carbono anualmente, o equivalente a retirada de 44.470 carros das ruas a cada ano, com o uso de lenha caindo até 80% segundo o documento de concepção do PoA.

 

O uso insustentável de lenha para abastecer fornos ineficientes é um dos principais condutores de desmatamento na Nigéria. Dentre os outros benefícios do projeto estão a melhoria da saúde respiratória da população, redução dos gastos para as residências e aumento do tempo disponível para atividades geradoras de renda.

 

"Os PoAs podem ajudar a ampliar os benefícios do MDL, especialmente para aqueles países que ainda não tiraram proveito do mecanismo", comentou o presidente do Comitê Executivo do MDLMartin Hession.

 

A partir do registro de um PoA, um número ilimitado de projetos similares pode ser adicionado e administrado ao longo do tempo sem a necessidade de registro de cada um individualmente.

 

A possibilidade de agrupamento de uma série de atividades menores sob o guarda-chuva de um único programa reduz os custos de transação e torna o MDL mais atrativo para os países menos desenvolvidos.

 

Traduzido por Fernanda B. Muller, Instituto CarbonoBrasil

 

Fotos: A lenha é transportada por longas distâncias desde as áreas de florestas mais altas no sul da Nigéria até as outras partes do país, onde quase todas as florestas já desapareceram -Fonte: UNFCCC

 

INT DESENVOLVE MODELO DE PROJETO DE GERAÇÃO POTENCIAL DE CRÉDITOS DE CARBONO NO SERTÃO NORDESTINO

Da Agência Ambiente Energia - A partir de março, seis indústrias cerâmicas da região do Seridó nordestino estarão participando de um modelo para comercialização de créditos de carbono desenvolvido pelo Instituto Nacional de Tecnologia (INT/MCTI). O arranjo, que é um piloto para replicação em outras empresas da região, define aspectos específicos para a certificação dos projetos de redução de emissões de carbono, incluindo a eficiência energética nos fornos e o uso de biomassa renovável. Com isso, as indústrias que estiverem adequadas, diminuindo suas emissões de carbono a partir da otimização dos seus processos, poderão lucrar com a negociação desses créditos no mercado voluntário de carbono.

 

A iniciativa integra o projeto Eficiência Energética em Cerâmicas de Pequeno Porte na América Latina para Mitigar a Mudança Climática (Eela), onde o INT avalia um total de 120 indústrias cerâmicas da região, compreendida entre os estados do Rio Grande do Norte e Paraíba.

Promovido pela Agência Suíça de Cooperação e Desenvolvimento (Cosude) e pela organização não-governamental Swisscontact, o trabalho é desenvolvido paralelamente também na Argentina, Bolívia, Colômbia, Equador, México e Peru.

O objetivo é incentivar medidas para otimizar o uso da energia nessas empresas, bem como reduzir as emissões de carbono e diminuir o impacto ambiental da atividade, desenvolvendo um modelo para ser replicado por outros núcleos produtores de cerâmica da América Latina. No Brasil, coordenada pelo INT, a iniciativa conta com a parceria com o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae Nacional), Sebrae/RN, Sebrae/PB, com o Centro de Produção Industrial Sustentável (Cepis), o Serviço Florestal Brasileiro (SFB/MMA) e a Associação Nacional da Indústria Cerâmica (Anicer).

 

O projeto Eela previa em seu início uma atuação nas regiões Norte e Nordeste. O Nordeste acabou sendo escolhido para implementação de um modelo que servisse para uma replicação mais ampla. A partir de meados de  2010, o INT começou a fazer testes de campo em fornos da região do Seridó, avaliando sua eficiência e as possibilidades de redução do consumo de energia, das emissões de CO2 e do impacto ambiental da atividade das olarias locais.

 

Na Região Norte, no estado do Pará, foi realizado um diagnóstico do modelo de fabricação e do uso de energia nos municípios de São Miguel do Guamá, Abaetetuba e Igarapé-Miri. Nesses dois últimos municípios, especificamente, foi detectado um modelo rudimentar, com empresas informais e familiares, sem acesso a energia elétrica, semelhante a situações já trabalhadas pelo projeto em outros países da América Latina. Para esse tipo de olarias, foi recomendado o uso de forno como o tipo catenária, desenvolvido pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) e avaliado pela equipe do INT. Esse equipamento permite o uso de outras biomassas presentes na região, tais como o caroço de açaí e a casca de castanha do Pará.

 

Na região do Seridó, foram feitos estudos comparativos entre os fornos do tipo caipira, tradicionalmente usados, e o abóboda, onde há melhor aproveitamento da energia e menos emissões. O trabalho também avaliou algumas formas de arranjar as peças cerâmicas no interior dos fornos, visando aumentar a proporção da produção de peças de primeira qualidade. E outra vertente, apontou as soluções de emprego de ar de combustão forçado e de recuperação de calor em fornos caipira, medidas que promovem uma economia de energia.

 

“Os fornos caipiras são abertos e dispersam enorme quantidade de calor e gases poluentes, enquanto a opção em forma de abóboda aproveita melhor essa energia, inclusive a reutilizando para a secagem das cerâmicas”, explica Mauricio Henriques, chefe da área de Energia do INT.

 

Objetivando levar políticas públicas, tecnologias e sistemas de gestão e de qualidade a essas e outras indústria cerâmicas com características semelhantes, o projeto aborda também a questão ambiental. Além de buscar conter as emissões atmosféricas, o trabalho indicou também mecanismos para racionalizar o uso e a extração de argila a ainda modelos para ampliar a oferta de biomassa renovável, evitando o desmatamento e a degradação do solo.

 

“Algumas soluções em uso tem sido a substituição da lenha nativa extraída da caatinga por briquetes de resíduos de biomassa, compostos de bagaço de cana e serragem, ou pelo emprego de podas dos municípios da região e de árvores frutíferas, como o cajueiro”, complementa o tecnologista Joaquim Augusto Pinto Rodrigues,  coordenador do projeto Eela.

 

O projeto Eela disseminou ainda, entre produtores locais, um modelo para ampliar o comércio de créditos de carbono decorrentes das medidas de otimização do uso da energia e dos recursos naturais. O trabalho envolveu ainda o levantamento de indicadores sociais, observando as relações de trabalho e indicando a correção das distorções encontradas.

 

A iniciativa se estende até 2013, com possibilidades de renovação, visando a mudança completa no uso da energia e dos recursos ambientais, nas relações de trabalho e na qualidade da produção das pequenas indústrias cerâmicas na América Latina. (As informações são do INT)

 

 

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domingo, 12 de fevereiro de 2012

FIM DOS LIXÕES?

Emprego de plasma térmico surge como alternativa para dar cabo de resíduos sólidos no Brasil. Em futuro próximo, a tecnologia deverá permitir que esses resíduos sirvam de matéria-prima para geração de energia.

 

Lixão da Vila Estrutural (DF). Reator desenvolvido por pesquisadores da empresa paulista Recaltech ajudará a solucionar o problema da produção crescente de lixo e da falta de espaços para aterros sanitários. (foto: Marcello Casal Jr./ Agência Brasil).

 

Num cenário de escassez de grandes áreas livres em centros urbanos, o que fazer com volumes de lixo cada vez maiores? O problema tem causado dor de cabeça em administradores públicos do mundo inteiro, inclusive do Brasil.

 

Segundo a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais, a produção de resíduos sólidos no país em 2010 foi de aproximadamente 61 milhões de toneladas. Quase 7% a mais que em 2009, quando o volume produzido foi de 57 milhões de toneladas.

A produção de resíduos sólidos no país em 2010 foi de aproximadamente 61 milhões de toneladas. Quase 7% a mais que em 2009.

 

Como o crescimento da população foi proporcionalmente menor no período, conclui-se que os brasileiros produzem cada vez mais lixo. Em 2009, a produção per capita por ano foi de 360 kg; em 2010, foi de 379 kg. Um aumento de aproximadamente 5,3%.

 

Diante do problema, pesquisadores da empresa paulista Recaltech desenvolveram protótipo de um reator de plasma térmico para incineração de lixo capaz de reduzir a cinzas de 100 kg a 300 kg de resíduos sólidos por hora.

 

A importância da incineração por plasma térmico está em sua capacidade de reduzir o material introduzido na câmara incineradora a cerca de 3% do volume original.

 

“Além disso, ao contrário da incineração convencional, a queima por plasma permite que os resíduos sólidos fiquem inertes, isto é, se tornem incapazes de reagir com outras substâncias para formar novos compostos”, explica o engenheiro mecânico Antônio Carlos da Cruz, um dos responsáveis pelo estudo.

 

Material é submetido ao plasma térmico em simulação feita no Laboratório de Plasma da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), que vem realizando estudos semelhantes ao da Recaltech. Na parte côncava da superfície, à base de grafite, o material é reduzido a 5% do volume original e adquire aparência de 'lava de vulcão'. (foto: Unisul)

 

O plasma usado na queima de resíduos forma-se quando um fluxo de gás – em geral argônio, que é inerte, não inflamável, não tóxico e não corrosivo – atravessa um arco elétrico alimentado por corrente contínua e atinge uma temperatura próxima de 5 mil ºC.

Cruz relata que os resíduos sólidos queimados por plasma se transformam em cinza e são revestidos por uma rede vítrea no final do processo. Essa rede protetora, produzida pela fusão dos resíduos queimados com óxidos (de metais) liberados durante a queima, impede que o produto final da fusão reaja com outras substâncias, tornando-o inerte.

 

Por isso, a tecnologia do plasma é ideal para destruir metais pesados (usados em pilhas e baterias, por exemplo), extremamente danosos aos seres vivos e ao meio ambiente. A incineração comum, feita em ambientes que atingem apenas cerca de 230 ºC, não reduz o volume do lixo significativamente nem consegue neutralizar metais pesados.

 

Energia tirada do lixo

 

Os pesquisadores estudam também a possibilidade de geração de energia elétrica a partir dos gases liberados na queima do lixo por plasma térmico. “A usina piloto que pretendemos implantar ainda este ano terá capacidade de transformar em cinzas cerca de 1 tonelada de lixo por hora”, diz o engenheiro da Recaltech.

 

“A usina piloto que pretendemos implantar ainda este ano terá capacidade de transformar em cinzas cerca de 1 tonelada de lixo por hora”

No projeto em desenvolvimento, os gases liberados durante a queima dos resíduos sólidos, como monóxido de carbono e hidrogênio, irão movimentar turbinas acopladas ao reator para produzir energia.

 

Segundo Cruz, a perspectiva é de que cada tonelada de lixo triado – do qual foram removidos a fração úmida (restos de alimentos, por exemplo) e material reciclável – gere 1,6 kilowatt de energia por hora.

 

No futuro, o emprego da tecnologia de plasma poderá descartar a necessidade de aterros sanitários. “Embora esses depósitos sejam em geral construídos com segurança, o extenso espaço que ocupam se torna inadequado para outras finalidades”, afirma Cruz.

 

O plasma

 

Esse termo foi empregado pela primeira vez na física em 1929 pelo químico estadunidense Irving Langmuir (1881-1957). Frequentemente se faz referência ao plasma como ‘quarto estado da matéria’. Estima-se que cerca de 99% da matéria conhecida no universo se encontre nesse estado, como plasma natural. É o que se verifica, por exemplo, no núcleo do Sol e nas descargas elétricas da atmosfera.

 

Fonte: HC - 6/02/2012

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

GOVERNO PUBLICA LEI QUE INSTITUI PPA 2012-2015 - PELA PRIMEIRA VEZ NA HISTORIA,, CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO SÃO EIXOS ESTRUTURANTES EM UM PLANO PLURIANUAL

Publicado no dia 19 de janeiro, o Plano Plurianual da União (PPA) 2012-2015 (Lei 12.593/12) trouxe como uma das diretrizes do governo o estímulo e a valorização da educação, da ciência, da tecnologia e da inovação (C,T&I). Com previsão de investimentos da ordem de R$ 5,4 trilhões, além de R$ 102 bilhões em emendas, o texto está estruturado em 65 programas temáticos. O PPA corresponde ao planejamento de médio prazo do governo e define os focos da administração pública federal para o próximo quadriênio.

 

Com algumas das metas do PPA para a área de C,T&I estão a atração de 100 projetos e centros de pesquisa e desenvolvimento (P&D), e a expansão e diversificação dos mecanismos de incentivo à inovação no Brasil. O programa de Desenvolvimento Produtivo do PPA estabelece como meta elevar de 4.728 para 5.328 o número de empresas brasileiras que lançam novos produtos no mercado nacional e também fomentar a especialização de 20 centros de inovação, design e sustentabilidade. Espera-se, ainda, desenvolver e adaptar instrumentos de apoio à inovação específicos para atração de projetos e centros internacionais de P&D.

 

A nova política quer promover o desenvolvimento da cadeia produtiva do complexo industrial da defesa, inclusive mediante a utilização de compra governamental e de instrumentos fiscais, para alcançar maior autonomia tecnológica e produtiva.

 

O programa de Desenvolvimento Produtivo também cita o incentivo à implantação de indústrias competitivas de componentes e equipamentos eletrônicos. A ideia é promover a produção de software, conteúdos digitais interativos e serviços de tecnologia da informação (TI), para posicionar o País como exportador relevante do setor.

 

Essa iniciativa será comandada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e contará com investimentos da ordem de R$ 1 bilhão. Entre os resultados esperados, é possível citar a fabricação de semicondutores e a estruturação e implementação do Plano Estratégico de Software e Serviços de TI.

(Com informações do Gestão C&T)