Seguidores

quarta-feira, 18 de abril de 2012

SABÃO DE ÓLEO DE COZINHA GANHA TROFÉU DO IEP

A engenheira química Adriana Carneiro Duarte será homenageada pelo Instituto de Engenharia do Paraná  (IEP) pelo projeto de aproveitamento do óleo de cozinha na produção de sabão, em Guaratuba.

 

Por sua contribuição social e ambiental e por seu empreendedorismo receberá o Troféu IEP Mulher, em solenidade marcada para às 19h, na sede do instituto, em Curitiba.

 

Adriana Carneiro desenvolve o programa Sabão Vegetal. A coleta do óleo usado em frituras é feita em escolas e residências. Ela criou a empresa Casa do Sabão, que vende sabão em pedra, pasta e líquido e mantém ações educacionais nas escolas municipais de Guaratuba.

 

A ação junto as escolas tem o intuito de sensibilizar a sociedade sobre os riscos e danos causados pelo descarte inadequado do óleo de fritura. Além de ouvir palestra da engenheira sobre os malefícios causados pelo óleo vegetal despejado nos rios da região, as crianças também participam ativamente junto as suas famílias no recolhimento do óleo e troca por sabão vegetal.

 

Outra ação em prol do desenvolvimento sustentável iniciada pela engenheira foi a parceria com a associações de catadores de recicláveis. A Casa do Sabão incentiva o recolhimento do óleo de fritura usado em residências e compra o resíduo coletado pelas associações.

 

 empresa existe desde 2010 e atualmente produz mensalmente 1.500 Kg de sabão vegetal. Parte da produção é trocada nas campanhas de coleta e o restante é comercializado nos mercados da região litorânea do Paraná.

 

A premiação acontecerá no auditório do IEP, na Rua Emiliano Perneta, 174, 2º andar, Centro, Curitiba.

 

ENERGIA AEÓLICA - SUPREMACIA BRASILEIRA NA AMÉRICA DO SUL

O mercado latino-americano de energia eólica é dominado pelo Brasil, que vem se estabelecendo como um grande mercado internacional. A análise corresponde à visão exposta no novo relatório do Conselho Global de Energia Eólica (GWEC, na sigla em inglês). O documento aponta que a base industrial robusta brasileira permitirá o abastecimento de um mercado em franco crescimento no Cone Sul até 2016.

 

Em geral, o GWEC projeta taxas médias anuais de crescimento de mercado de cerca de 8% para os próximos cinco anos, com uma boa perspectiva para 2012 e uma queda substancial em 2013.  Já para o Brasil, a taxa média de crescimento da energia eólica anual prevista é 40%, entre 2012 e 2016. As instalações totais para o período 2012-2016 devem chegar a 255 GW, com um crescimento cumulativo médio do mercado um pouco abaixo de 16%.

 

“O Brasil está entre as quatro nações do mundo que mais cresce no setor eólico, ficando atrás somente de China, Estados Unidos e Índia. Em 2015 seremos o 10° maior produtor de energia eólica do mundo. Atualmente, nossa capacidade instalada é de 1.471 MW e nosso potencial gira em torno de 300 GW. Temos um futuro promissor e ainda há muito espaço para crescimento”, destaca Lauro Fiúza Junior, vice-presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica).

 

O Global Wind Report 2011, lançado na última terça-feira (17/4) aponta que a indústria de energia eólica global instalará mais de 46 GW de nova capacidade em 2012. Até o final de 2016, a capacidade total de energia eólica mundial será pouco menor do que 500 GW, diante de um mercado anual de cerca de 60 GW previsto para esse período.Fonte:TN / Agência Ambiente Energia

terça-feira, 17 de abril de 2012

ESPECIALISTAS EM SUSTENTABILIDADE COBRAM MAIS PARTICIPAÇÃO SOCIAL E CIENTÍFICA

Especialistas em sustentabilidade reunidos na segunda-feira (16), em São Paulo, cobraram uma maior participação da sociedade e da ciência na construção dos debates da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20). O seminário, organizado pelo Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental (Proam), foi marcado por críticas à agenda programada para a conferência, principalmente no que diz respeito ao “viés empresarial” do evento.

 

“O que nós percebemos é que há uma posição fechada de governos, do setor econômico e de entidades não governamentais mais chapa branca, em uma posição de manutenção do status quo”, apontou Carlos Bocuhy, membro do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) e presidente do Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental (Proam).

 

“A ciência não é ouvida em relação aos ecossistemas, ou seja, há uma grande interrogação nesse processo [da Rio+20]. A gente corre o risco que a conferência seja apenas mais um momento para pintar o que nós já temos aí de verde e não de, realmente, proporcionar para a sociedade planetária um salto de qualidade na gestão do planeta”, completou Bocuhy.

 

Iara Noveli, professora livre docente em oceanografia biológica da Universidade de São Paulo (USP), contestou a pequena participação, segundo ela, de grupos tradicionais (como os ligados à agricultura familiar) que encontraram soluções simples para os problemas relacionados à sustentabilidade. “[Não estão sendo ouvidos] os grupos sociais que vêm batalhando e saem das crises com ideias bem boladas, grupos da agricultura familiar, grupos de pouquíssimos recursos, com ideias muito interessantes”, exemplificou.

 

A Rio+20 reunirá representantes de cerca de 200 países no Rio de Janeiro, de 13 a 22 de junho, com o objetivo de discutir a economia verde e a criação de uma instituição internacional voltada para o desenvolvimento sustentável ou o fortalecimento das estruturas já existentes. Até o momento, cerca de 100 chefes de Estado e de governo confirmaram participação.

 

Felicidade na agenda

 

Entidades da sociedade civil internacionais e brasileiras estão se mobilizando para inserir o tema felicidade na agenda de debates da Rio+20. Essa inserção, entretanto, tem um propósito específico, segundo afirmou o criador do movimento não governamental "Mais Feliz", Mauro Motoryn. “Mais do que a medição de um índice, [queremos] é o estabelecimento de políticas públicas baseadas na felicidade do cidadão”, explicou.

 

O tema será abordado pelo Senado, no dia 26 de abril, em audiência pública a ser realizada pela Subcomissão Permanente de Acompanhamento da Rio+20 e do Regime Internacional sobre Mudanças Climáticas, que integra a Comissão de Relações Exteriores. Participarão do evento o Movimento Mais Feliz, a Fundação Getúlio Vargas e representantes de entidades da sociedade civil envolvidas com a Rio+20.

 

A proposta de transformação da felicidade em política pública está tramitando no Congresso Nacional por meio da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 19/2010, cujo relator é o senador Cristovam Buarque (PDT-DF). Mauro Motoryn acredita que a PEC irá a plenário até o início de junho.

 

“A PEC tem plenas condições de ser aprovada. No começo, todo mundo questionava [o debate sobre] a felicidade, mas hoje é uma questão de editorial na mídia mundial, [que está] nas articulações dos grandes pensadores da economia comportamental e em instituições de Harvard e na Fundação Getulio Vargas”, projetou o criador da ONG.

 

De fato, o tema felicidade ganha cada vez mais espaço nas pautas de vários países do mundo. O primeiro Relatório Mundial sobre Felicidade, divulgado este mês pela Organização das Nações Unidas (ONU), apontou a Dinamarca como o país onde os cidadãos se sentem mais felizes com a sua vida. Em seguida, vem a Finlândia. O Brasil aparece na 25ª colocação, entre 156 nações.

 

Mauro Motoryn explicou que o relatório privilegia os fatores sociais, nos quais o Brasil ainda apresenta “falhas gritantes”, a exemplo dos baixos índices em educação e saúde. “A gente não pode confundir um país alegre com um país feliz do ponto de vista daquilo que recebe do Estado. Ou seja, nós temos deficiências graves na área da educação, de saúde, e isso influi decisivamente na colocação que ocupamos [no relatório]”.

 

ESPECIALISTA PROJETA CRESCIMENTO DO MERCADO DE CARBONO

Consultor acredita que o preço do crédito não deverá cair abaixo do patamar atual de 10 euros por tonelada de carbono

 

Depois de um período de incertezas, a tendência é que o mercado de carbono cresça e se consolide nos próximos anos. A avaliação é do consultor de Mudanças Climáticas da MGM, Stefan David. “Havia um grande desconforto de não se saber o que aconteceria em Copenhague (onde se realizou a 15ª Conferência das Partes das Nações Unidas sobre o Clima), e um desconforto global por achar que os Estados Unidos não iriam se comprometer com nenhum tipo de compromisso, ou a China ficaria de fora também e o Brasil assumiria uma meta voluntária”, afirmou David, em entrevista à Agência Brasil.

 

Apesar de apostar no crescimento das negociações envolvendo créditos de carbono, David observou que ainda não é possível definir exatamente qual será o valor das reduções de gases estufa no mercado mundial. “A questão é como vai atuar a oferta e a demanda e isso vai impactar nos preços.” Entretanto, o consultor acredita que o preço do crédito não deverá cair abaixo do patamar atual de 10 euros por tonelada de carbono.

 

Ele ressaltou que o mercado de carbono sofre transformações constantes que tornam as regras para aprovação dos projetos cada vez mais rigorosas. “O espírito do sistema é a busca de melhoria contínua”, enfatizou.

 

Segundo o consultor, esse aperfeiçoamento contínuo é que possibilita a diferenciação de um projeto com validade ambiental para uma ação que deveria ser corriqueira naquela atividade. “Quando você quer desenvolver uma atividade que vai reduzir as emissões de gases do efeito estufa e no seu setor todo mundo já está fazendo aquilo que você quer fazer, não está trazendo nada de inovador e não está contribuindo para reduzir as emissões. O sistema entende que se você não fizer essa atividade mais moderna que todo mundo está implantando você vai desaparecer do mercado”, explicou.

 

Essas mudanças constantes, no entanto, também fazem com que exista alto risco de que os projetos não consigam certificação da Organização das Nações Unidas (ONU) para captar recursos. David citou o fato de que das cerca 300 metodologias apresentadas no órgão para medir a quantidade de carbono evitado, menos de 150 foram aprovadas.

 

Críticas

 

Mas o mercado de carbono também é visto com ressalvas por alguns dos mais respeitados especialistas em desenvolvimento sustentável. Para o economista Jeffrey Sachs, por exemplo, pensar em alternativas ao uso do carvão e em energia nuclear é mais importante que a atual ênfase dada aos créditos de CO2.

 

“Economistas falam muitas vezes como se o estabelecimento de um preço para as emissões de carbono (via permissões negociáveis ou um imposto sobre o carbono) fosse suficiente para cumprir as reduções necessárias dessas emissões. Isso não é verdade. Um sistema de créditos pode influenciar marginalmente as escolhas entre usinas de carvão e gás ou provocar um pouco mais de adoção de energia solar ou eólica, mas não levará a uma revisão necessária e fundamental dos sistemas de energia”, criticou.

 

Na opinião do economista franco-polonês Ignacy Sachs, o mercado de carbono também está longe de ser uma boa alternativa para a sustentabilidade do planeta. “Créditos de carbono são como indulgências que os papas vendiam na Idade Média, em que se podia assassinar um parente se tivesse o necessário para pagar uma indulgência. O Brasil não pode deixar de entrar nesse jogo, mas as soluções também têm que ser buscadas fora do mercado de carbono”, defendeu, em visita recente ao país.

 

Leia também

 

Fonte: Portal EcoD. http://www.ecodesenvolvimento.org.br/noticias/especialista-projeta-crescimento-do-mercado-de#ixzz1sKfBM06X

segunda-feira, 16 de abril de 2012

PESQUISADORES DESENVOLVEM NOVO PROCESSO DE RECICLAGEM

No Brasil, os supermercados de São Paulo deixaram neste mês de abril de distribuir gratuitamente as sacolas plásticas, ação semelhante a que está sendo tomada em países europeus. O principal motivo está no impacto que elas causam ao meio ambiente e por não serem recicladas adequadamente. Pensando nisso, o pesquisador Amit Naskar e seus colegas do Laboratório Oak Ridge, nos Estados Unidos, desenvolveram um processo que transforma o polietileno, usado no produto, em um material muito mais valioso: as fibras de carbono.

 

As fibras de carbono estão entre os materiais mais high-tech, ou seja, de maior tecnologia na atualidade. Elas estão presentes em carros de corrida, equipamentos esportivos, aviões e sondas espaciais. Segundo Naskar, o processo de reciclagem não apenas possibilita a transformação para fibras de carbono, como também torna possível ajustar o produto final em aplicações específicas. 

 

“Acreditamos que nossos resultados trarão para a indústria uma técnica flexível para fabricar fibras tecnologicamente inovadoras em inúmeras configurações, de aglomerados de fibras a não-tecidos de fibra de carbono”, explicou Naskar ao portal do Laboratório Oak Ridge.

 

Ao falar sobre as aplicações possíveis do material reciclado, o pesquisador é bem direto. “As possibilidades são virtualmente ilimitadas”, afirmou.

 

Como ocorre a transformação

 

Para o novo processo é utilizado uma técnica chamada de “sulfonação”, na qual é mergulhado o aglomerado de fibras em um ácido que contém um banho químico, onde reage e forma uma fibra negra que não irá se fundir novamente. “A técnica transforma as fibras de plástico em uma forma não fundível”, explicou Naskar. O resultado final pode ter um contorno superficial e um diâmetro de cada filamento ajustado com precisão no momento do processo de fabricação. A exatidão desta manipulação pode alcançar a escala dos nanômetros (subunidade do metro).

 

O processo de patente pendente lhes permite ajustar a porosidade, tornando o material potencialmente útil para a catálise de filtração e a captação de energia eletroquímica.

 

Os pesquisadores também observaram que a descoberta representa um sucesso para o DOE (Departamento de Energia), que busca avanços em materiais leves que possam ajudar as montadoras de carros norte-americanas na criação de um design capaz de atingir mais milhas por galão, sem comprometer a segurança ou o conforto. E a matéria-prima, que pode vir a partir de sacos de plástico e restos de tapete de apoio e salvamento, é abundante e barata. Fonte: Por: Redação TN / EcoD

 

 

 

PAGAMENTO POR SERVIÇOS AMBIENTAIS: APRENDER FAZENDO

Nova comunidade de aprendizagem em PSA deve contribuir para o conhecimento e a prática brasileira. Desafios para o País incluem ganho de escala e monitoramento de resultados

 

Desde o final do século passado, quando a pequenina Costa Rica passou a taxar combustíveis fósseis para remunerar proprietários de terras que promoviam reflorestamento, o modelo de pagamento por serviços ambientais (PSA) surgiu como uma das grandes inovações capazes de aproximar economia e conservação. Mas, como toda inovação, não se pode dispensar o aperfeiçoamento pela prática.

 

É aí que entra, no contexto brasileiro, a Comunidade de Aprendizagem em PSA, projeto gestado pelo Ministério do Meio Ambiente em parceria com a Agência de Cooperação Técnica Alemã (GIZ) e cuja secretaria executiva será exercida pelo Vitae Civilis. 

 

A ideia é fortalecer iniciativas já existentes e estimular a replicação do modelo em outras partes do País, tudo isso com base em um processo coletivo de aprendizagem. A metodologia consiste e mapear os atores e facilitar a troca de experiências entre eles, estabelecendo uma comunidade. O desenvolvimento do mecanismo PSA se dará a partir do conhecimento e das demandas presentes no próprio grupo.

 

Carlos Krieck, assessor para serviços ambientais e biodiversidade do Vitae Civilis e secretário executivo do projeto, exemplifica: “Hoje existe uma grande demanda por capacitações em PSA, seja de nível básico ou avançado. Mas além de atender demandas específicas promovendo oficians e cursos pontuais,   nosso papel é identificar dentro da própria Comunidade de Aprendizagem em PSA quem tem esse tipo de conhecimento e estimular o compartilhamento”.

 

A principal ferramenta é, naturalmente, a internet. O site www.aprendizagempsa.org.br – no ar a partir de 18 de abril – reunirá uma biblioteca virtual, um fórum para contatos entre participantes e um banco de dados com projetos cadastrados de todo o País. Será possível conhecer as iniciativas e o panorama geral da comunidade realizando buscas por região, bioma, tipo de serviço e status de implementação.

 

A expectativa do Vitae Civilis é levantar de 80 a 100 projetos durante a fase de incubação, que seguirá até outubro, mas qualquer pessoa pode se cadastrar e fazer parte desta espécie de rede social de PSA. “Todos os projetos do Brasil, independentemente do serviço negociado ou fase de implementação que se encontra,  são bem-vindos”, diz Krieck.

 

PSA no Brasil: trajetória e desafios futuros

 

Tradicionalmente, o mecanismo consiste em enxergar as áreas naturais para além de seus insumos e do patrimônio fundiário. Trata-se de reconhecer a importância de serviços essenciais, tais como a manutenção da biodiversidade, os estoques e sumidouros de carbono, a proteção dos recursos hídricos, a regulação do regime de chuvas, o controle da erosão etc. E, ao final, atribuir-lhes valor econômico. A remuneração para quem se compromete a conservar pode se dar com recursos públicos ou privados, a depender do modelo de parceria.

No Brasil, as primeiras iniciativas datam do começo dos anos 2000 e, nesse período, a prática já deu sinais de evolução. Krieck lembra que havia muita dificuldade em  calcular o valor adequado da remuneração para cada tipo de serviço e surgiam  muitas dúvidas sobre marco legal. Hoje já existem diversos métodos já testados e disseminados para realizar o cálculo econômico (é a chamada “valoração ambiental”) e também modelos para formulação de leis em PSA.

 

Na visão de Krieck, são dois os principais gargalos atuais no Brasil: escala dos projetos em andamento e monitoramento dos resultados. Em geral, os projetos de PSA são pequenas iniciativas locais, salvo algumas exceções, como o Espírito Santo, que estabeleceu uma política válida para todo os estado e já tem o programa implantado com áreas contratadas. Um grande impulso para o ganho de escala e fortalecimento do mecanismo de PSA no Brasil, seria a aprovação e regulamentação da Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais, atualmente em tramitação no Congresso.

 

Já o monitoramento dos resultados deve ser mais do que o simples cálculo de hectares e contrapartida financeira. “Os projetos tem que medir os impactos diretos do seu programa ou projeto. O quanto de fato esse investimento está fazendo diferença para a conservação de áreas naturais, recuperação de áreas degradadas e desenvolvimento local? O quanto esse pagamento tem impacto na família do beneficiário? Qual o destino do pagamento realizado? Hoje, são poucos os projetos que tem um bom sistema de monitoramento ambiental, social e econômico no Brasil  e nós queremos contribuir com esse debate”, diz Krieck.

 

Quem quiser saber mais sobre PSA e a comunidade de aprendizagem pode comparecer ao evento de lançamento no próximo dia 17/04/2012, em São Paulo, no Auditório da Secretaria Estadual de Meio ambiente, em São Paulo.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

CASCA DA BANANA SAI DO LIXO PARA LIMPAR RIOS, TRAZENDO BENEFÍCIOS

Para conseguir resultados, cortava as cascas e as deixava em temperatura ambiente

Houve uma época em que todas as cascas de banana da casa da química Milena Boniolo eram guardadas. Nas mãos da então mestranda, a matéria-prima era transformada em uma arma para despoluir águas contaminadas por metais pesados, como chumbo.

 

A ideia de produzir algo para tratar efluentes era antiga. A pesquisadora já havia trabalhado com fibras de coco verde e nanotecnologia. O primeiro, diz ela, muitas vezes, mofava no processo. O segundo era caro demais para ser aplicado em larga escala.

 

Que outro material pode ser reciclado e é barato e simples de encontrar em todo o país?, questionou. A resposta estava no lixo de sua casa --o irmão, jogador de futebol, consumia bananas frequentemente. No país, a produção anual é de 6,9 milhões de toneladas por ano, segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação).

 

Levou a proposta de estudo para o Ipen (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares) e bateu o pé para que o projeto fosse aceito. "Não era o formato de pesquisa que a gente tinha lá, mas fiz o teste várias vezes para mostrar que era possível."

 

Para conseguir resultados, cortava as cascas e as deixava em temperatura ambiente --de aproximadamente 25º C-- por cerca de uma semana. Depois, triturava e peneirava o material.

 

O pó era misturado a uma solução com urânio por 40 minutos e o indice de remoção do metal chegava a, no mínimo, 65%. Bastavam 5 mg da farofa para despoluir 100 ml de água, segundo ela. Boniolo, que usou banana nanica "porque tinha muita em casa", diz que os resultados são semelhantes com qualquer variedade da fruta.

 

O princípio da atração dos materiais, explica, é simples. O processado da casca da fruta tem carga positiva e os metais pesados, negativa. Quando colocados juntos, eles se unem.

 

REUTILIZÁVEL

 

Mas podem se separar. Depois de processados, os metais --que chegam a causar problemas neurológicos e câncer-- podem ser reutilizados, voltando para a cadeia produtiva. Eles são usados em indústrias como a metalúrgica.

 

A pesquisa de Boniolo despertou o interesse de instituições internacionais. Foi convidada a palestrar nas universidades Oxford, na Inglaterra, e da Califórnia, em Irvine, nos EUA. Empresas também a contataram.

 

"Quando as indústrias procuram, já estão com uma área contaminada e querem o trabalho para ontem", conta ela. Mas faltava a fórmula para adequar os resultados de experimentos feitos "em uma bancada de laboratório", em que são usados mililítros, a grandes volumes.

 

A solução deve vir do doutorado. Boniolo está no primeiro ano na Unesp (Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho). "Sustentabilidade é cooperação, tem que haver interdependência entre academia, governo, empresas."