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sexta-feira, 10 de agosto de 2012

PESQUISA & INOVAÇÃO: ACOMPANHANDO CASOS BRASILEIROS DE INOVAÇÃO ABERTA E A SUA REPERCUSSÃO NO MERCADO

Colaboração reforça o valor das relações

 

A inovação está na conexão entre diversos conhecimentos e aplicação em novas soluções. Quando se encara o espectro da inovação aberta em que se sabe que o conhecimento está em locais distintos e, por vezes, distantes, ou mesmo de multinacionais, com grande dispersão geográfica, surge o desafio de como criar e manter as conexões. O professor do KTH Royal Institute of Technology, Mats Magnusson, integra um grupo de pesquisa chamado MCID (Managing Collaborative Ideation Dynamics), que analisa como empresas de grande porte lidam com essa situação.

 

Mats Magnusson - Professor do KTH Royal Institute of Technology, após anos de estudo, percebe que a melhor alternativa para interligar diferentes atores de interesse só é encontrada caso a caso, dependendo do contexto e dos recursos disponíveis. Ele cita, por exemplo, a Ericsson, empresa com mais de 100 mil funcionários distribuídos pelo globo. A empresa gera conhecimento a todo instante e precisa compartilhar esse conhecimento em sua extensão. Mais que isso, entende que é importante que as pessoas conversem para além de seus setores, possibilitando o surgimento de inovações.

 

Nesse caso e em tantos outros, plataformas criadas na web são ferramentas importantes. A empresa criou um espaço no qual se comunicam pessoas de diversos países e cujas ideias postadas são divulgadas de acordo com as demandas que os gerentes apresentam, criando o que ele chama de caixas de demandas. Mais que um receptor, esse espaço estimula a interação e o feed back. “Ideias são lançadas a todo tempo e, para chegar à inovação, é preciso desenvolver. Por isso esse tipo de organização é importante para que a empresa consiga conduzir a evolução e manter os participantes ativos”, explica.

 

Outro exemplo interessante é a Scania, que criou um canal para relacionamento com motoristas de caminhão. O que surgiu daí foi uma série de discussões inesperadas sobre quesitos técnicos dos veículos. Dessa forma, a empresa pôde desenvolver diversas melhorias em seus produtos.

 

Segundo ele, é importante que as empresas identifiquem seus desafios e os atores que querem colocar em contato. “A colaboração se desenvolve a partir do relacionamento. Criar mecanismos que estimulem esse contato ajuda a criar laços que serão fundamentais. As plataformas online são apenas uma ferramenta. O que faz diferença é o uso que se faz dela e como elas são apropriadas e usadas na gestão da inovação”, diz. “Essa lógica pode ser usada também na cooperação internacional, pois se entende que é preciso criar pontes com determinadas pessoas para que a colaboração se estabeleça”.

 

INTERMEDIÁRIOS DE INOVAÇÃO

 

CONTATOS INTERMEDIADOS PARA A GERAÇÃO DE INOVAÇÃO

Centros de inovação, incubadoras, parques tecnológicos. São diversas as formas que podem ser chamadas de intermediários de inovação. O conceito, estudado pelo pesquisador Henry Lopez Vega, mostra o papel dessas organizações no impulso à inovação. Os recursos e conhecimentos estão dispersos e nem sempre é tarefa fácil encontrar os parceiros e as soluções mais adequadas. Os intermediários de inovação entram justamente no papel de conectores.

 

Pesquisador

“Nós observamos que, no fluxo da inovação, 90% das iniciativas não dão certo e apenas 10% se transformam em produtos, serviços ou novos negócios bem sucedidos”, diz. “Inovar não é fácil e é preciso encontrar meios de facilitar esse processo”. Segundo ele, quando uma empresa apresenta demanda por uma tecnologia específica, por exemplo, os intermediários ajudam a mapear se há algo disponível sendo estudado ou já pronto em algum outro lugar. Se descobrem que não, podem tomar a decisão consciente de investir em seu desenvolvimento. Se descobrem que sim, podem então avaliar quais os custos e benefícios de negociar a compra de um patente, por exemplo, ou o desenvolvimento em conjunto com outra instituição.

 

Para Lopez, é por isso que esses intermediários são relevantes também quando se pensa em cooperação internacional. Segundo ele, o segredo está em saber aproveitar os recursos disponíveis. Por exemplo, uma das iniciativas importantes para a criação desses links são programas de intercâmbio que colocam pessoas de diferentes países em contato acadêmica e profissionalmente, criando as bases para parcerias mais maduras. “Há empresas que oferecem programas de mestrado. Por que não aproveitá-los?”, diz.

No caso do Brasil, quando se pensa em cooperação internacional, o especialista alerta que é preciso ter foco. “O governo tem papel importante em estimular e financiar iniciativas que ajudem o país a se tornar referência em inovação em determinado setor. A Alemanha é forte em manufatura, a Itália, na área têxtil, a Espanha em tecnologia da informação e comunicação, a Finlândia em games. Em que o Brasil pretende ser referência no futuro?”, questiona

 

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEl

Cooperação entre Alemanha e Brasil pode ser viabilizada para desenvolvimento sustentável

Quando se pensa em cooperação internacional, é importante encarar quais as potencialidades dos países visados. A Alemanha abriga institutos e empresas de tecnologia avançada e pode encontrar no Brasil parceiro importante para desenvolver novos projetos.

Sabine Brunswicker

Chefe de Inovação Aberta do Fraunhofer Institute for Industrial Engineering

Para a chefe de Inovação Aberta do Fraunhofer Institute for Industrial Engineering, Sabine Brunswicker, atualmente o país encara o Brasil e outras nações emergentes como importante fonte de recursos e capital intelectual. “Estamos convencidos de que Brasil e Alemanha vêm trabalhando bem em colaboração. Mais que transferir tecnologia, nosso foco no país é trabalhar junto para desenvolver novas soluções”, diz.

 

Segundo ela, uma das áreas na qual os dois países enxergam um de seus maiores potenciais é o desenvolvimento sustentável. Sendo um dos países com ecossistema mais rico do planeta e aliado a um contexto de desenvolvimento econômico, seu meio ambiente sofre forte pressão. Por isso, a proteção dos recursos naturais é um dos desafios mais pungentes do Brasil. Ao mesmo tempo, essa é uma das áreas em que a Alemanha já vem trabalhando e, por isso, surgem oportunidades interessantes de colaboração.

 

“Estou trabalhando em um projeto no Rio de Janeiro ajudando a identificar novos negócios para tecnologia limpas, aliando inovação aberta e experimentação de modelos de negócio. Juntamos forças principalmente em relação à experiência de gerenciamento para fazer esse negócio dar certo”, exemplifica Sabine. “Há muito que pode ser trabalhado nessa área”.

 

Sabine entende que o Brasil está no foco de grandes empresas, que aos poucos abrem centros de pesquisa no país. O desafio é aproveitar essas oportunidades e acelerar o processo para estabelecer conexões promissoras. Ela ressalta ainda o papel do governo para ajudar empresas de pequeno e médio porte a se inserirem nesse movimento, uma vez que têm menos recursos disponíveis, mas podem desempenhar importante papel no processo de inovação.

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NOTÍCIAS DO CENTRO DE OPEN INNOVATION – BRASIL E SEUS PARCEIROS

 

Open Innovation Seminar recebe propostas de arenas e define fóruns

Para o Open Innovation Seminar 2012, mais de 20 empresas parceiras do Centro de Open Innovation – Brasil já se propuseram a construir as arenas de inovação – ambientes de colaboração em que pessoas e organizações com competências distintas se unem em busca de soluções para desafios comuns. Também foram definidos, ao longo das reuniões do comitê organizador do evento, os fóruns de inovação aberta – instâncias permanentes que serão lançadas no evento para aprofundar as discussões em relação aos principais aspectos relacionados à gestão da inovação aberta. Para cada um dos três temas principais, serão lançados quatro fóruns. Dentro de Gestão de Pesquisa e Desenvolvimento, o OIS lança os fóruns de Inteligência, transferência e valoração da tecnologia; Modelos de inovação: corporativo versus empreendedor; Pesquisa e Desenvolvimento Colaborativo; e Ecossistemas de Inovação. Já o tema Business Model Generation abrange os fóruns Social innovation; Business Model Generation e Aceleradoras, Gestão da Inovação e Sustentabilidade e Effectuation. Por último, em relação a Inovação em Serviços, serão trabalhados os fóruns Design Thinking; Open Government; User Innovation e Serious Gaming. 
Informações pelo link.

 

 

Selecionadas as melhores estampas do Desafio Criativo Lilica Ripilica

A Comissão Técnica Julgadora do Desafio Criativo Lilica Ripilica selecionou os 85 desenhos mais próximos da final. Agora eles seguem para comissão classificadora, que fará a última avaliação. Entre os estados, destaca-se São Paulo, que responde por 36% dos concorrentes selecionados. Santa Catarina também apresenta forte participação (19%), seguido por Rio Grande do Sul (13%) e Rio de Janeiro (12%). Os demais finalistas são do Paraná, Minas Gerais, Ceará, Goiás e Distrito Federal. O desafio, organizado pela Marissol, mobilizou milhares de desenhistas, designers, artistas plásticos e estudantes, que criaram estampas contínuas para a marca. O resultado oficial será divulgado no dia 17 de setembro. Informações no site.

 

Natura Campus lança chamada de projetos em agosto

O Programa Natura Campus, iniciativa para construção das redes de inovação da Natura com a comunidade científica, lança em 15 de agosto a chamada 2012 de projetos de pesquisa e inovação. A chamada está divida em duas categorias: Programa Amazônia e Ciência, Tecnologia e Inovação. A primeira categoria é destinada a projetos liderados por instituições de ciência e tecnologia sediadas na região amazônica e abre espaço para temas como: Cultura e Sociedade; Conservação e Biodiversidade; Florestas e Agricultura; e Design de Produtos e Processos. Na segunda categoria, o objetivo é apoiar projetos de inovação transformadora, que possibilitem a formação e fortalecimento de uma rede global de pesquisa. É uma oportunidade para desenvolverem projetos em colaboração com a empresa nas áreas de Ciências Clássicas e Avançadas de Pele e Cabelo;  Ciências do Bem Estar e Relações; e Sentidos, Design e Experiências e Tecnologias Sustentáveis. Informações no site.

 

novação aberta é tema de debate entre CNPq e INPI

Em encontro realizado em julho pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, uma mesa de debates do CNPq e INPI, colocaram em debate a inovação aberta no Brasil. O tema foi pautado em meio à observação de desafios enfrentados pelo país na última década, como o aumento da dependência tecnológica e dificuldades na balança comercial em setores considerados de média e de alta intensidade tecnológica (farmacêutico, TIC, saúde, química e máquinas e equipamentos).

O presidente do CNPq, Glaucius Oliva, destacou a importância de procurar competências complementares fora do ambiente institucional ou empresarial. “Quero inovar, não sei fazer sozinho e vou procurar fora de onde estou outro ator para desenvolver projetos conjuntos, por meio de licenciamento de opção, acordos de financiamento de pesquisa, criação de empresas dentro de centros universitários, realização de chamadas de projetos por empresas, estágios, consultorias, doações por empresas, entre outras”, disse.

Já o presidente do INPI, Jorge Ávila, afirmou que o Brasil é um país de industrialização tardia, baseada na aquisição de competências tecnológicas desenvolvidas no exterior: “Nós temos que enfrentar a realidade de um processo histórico. Não houve um ambiente de estímulo ao processo de inovação”.

 

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

CONHEÇA 5 PROJETOS PARA CASAS SUSTENTÁVEIS VENCEDORES DE CONCURSO NOS EUA

CONHEÇA 5 PROJETOS PARA CASAS SUSTENTÁVEIS VENCEDORES DE CONCURSO NOS EUA

 

Os projetos vencedores foram os que melhor aproveitaram as tecnologias atuais de produção de energia, telhados verdes, entre outros recursos
Imagens: Divulgação

 

Construir casas modulares, com três cômodos, que não excedessem o valor de US$ 100 mil em materiais, foram as exigências do concurso anual norte-americano de design Sustainable Home: Habitat for Humanity. Voltada para estudantes universitários, a competição anunciou os cinco projetos ganhadores em agosto.

 

Além de avaliar as características sustentáveis como o uso de matéria-prima ecológica, a apresentação também foi um ponto importante na definição dos ganhadores.

Os projetos vencedores foram os que melhor aproveitaram as tecnologias atuais de produção de energia, telhados verdes, entre outros recursos, segundo a organização do concurso.

O júri composto pela ACSA (Association of Collegiate Schools of Architecture) dividiu os vencedores por regiões - com a exceção da categoria "Melhor uso de vinil". Conheça os premiados:

 

REGIÃO SUL

 

 

Com o título NOTBLOX ® Project Habitação Acessível, o projeto idealizado pelos estudantes Nick Barrett e Samuel Pruitt, da Clemson University, demonstrou facilidade de construtibilidade, além de ter um design bonito, sofisticado e oferecer excelentes opções para o uso do vinil.

 

REGIÃO OESTE

Chamado de Casa S, o projeto possui design cativante, expressivo e simples. Todos os sistemas são integrados, e as grelhas agem como parte do mesmo sistema funcionando como uma tela. Projetado por Yiming Su da University of Calgary.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

REGIÃO CENTRAL

A casa sustentável, projetada por Agnieszka Wir-Konas, da University of Detroit Mercy, apresentou simplicidade no plano. A posição foi pensada a partir da orientação do sol, no intuito de valorizar a claridade natural. A casa apresentou também um custo reduzido de construção, além de capacidade modular de ser modificada ao longo do tempo. O design foi considerado "muito bonito" pelo júri. A premiação veio graças também ao telhado verde e a instalação do vinil que desempenha um papel com membrana de PVC sob o telhado verde.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

REGIÃO NORDESTE

 

Uma forma estrutural simples, leve, altamente isolada, forte e sustentável, assim foi intitulada a casa de Josh Robinson, da Universidade Estadual da Pensilvânia, projetada para o futuro de componentes modulares.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O quinto projeto foi classificado como vencedor do melhor uso de vinil:

MELHOR USO DE VINIL 

 

Projetada pelos estudantes Ashley Clark, Peter e Mary McInish Win McCarthy, da Universidade de Auburn, a proposta modesta e criativa usou o vinil como uma pele exterior, em vez de usá-lo como tapume. A ideia é mostrar que os elementos podem ser aplicados de várias formas. O uso do material especificado demonstrou a praticidade de fazer uma casa simples e acessível.

(Link: http://www.ecodesenvolvimento.org/posts/2012/agosto/concurso-norte-americano-elege-projetos-para-casas)

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

ROBIN HOOD VERDE

Ao transferir recursos da exploração do petróleo para financiar a juros reduzidos projetos de adaptação e mitigação às mudanças climáticas por meio do Fundo Clima, o Brasil pratica uma política ambiental ao estilo Robin Hood, personagem associado aos programas de ajuda financeira ao desenvolvimento sustentável global. Falta ao Fundo Clima, entretanto, a agilidade do herói justiceiro da floresta de Sherwood.

 

Embora a lei que o instituiu como instrumento da Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC) seja de dezembro de 2009, a liberação dos primeiros empréstimos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), responsável pela gestão da maior parte dos recursos – que já somam R$ 560 milhões –, só deverá ocorrer em 2013.

 

Os recursos para o Fundo Clima têm origem na participação especial do petróleo, composta com parte da receita da exploração petrolífera [1]. Do total da participação especial, 10% cabem ao Ministério do Meio Ambiente, que, por sua vez, destina uma parcela de 60% ao Fundo Clima (ou seja, 6% da participação especial do petróleo).

[1] Ver artigo 50 da Lei do Petróleo, lei 9.478/97

 

Em 2011, o fundo, gerido pelo MMA, recebeu seu primeiro aporte R$ 230 milhões e, este ano, outros R$ 390 milhões. Esses recursos foram divididos entre duas modalidades de financiamento de projetos: uma não reembolsável, administrada pelo próprio MMA, e outra reembolsável, gerida pelo BNDES. O Comitê Gestor do Fundo Clima, do qual participam representantes do poder público e da sociedade civil, destinou anualmente R$ 60 milhões não reembolsáveis (a fundo perdido) e R$ 560 milhões como empréstimos reembolsáveis em 2011 e 2012.

 

O objetivo do Fundo Clima é apoiar a PNMC no compromisso assumido voluntariamente pelo Brasil, na Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima, de reduzir em pelo menos 36% as emissões de gases de efeito estufa projetadas até 2020. Não foram criados indicadores para medir a redução de carbono que os projetos apoiados pelo Fundo Clima poderão proporcionar.

 

Segundo a diretora de Mudanças Climáticas do ministério, Karen Suassuna, seria inviável fazer essa conta, uma vez que as áreas em que o fundo investe nem sempre implicam abatimento direto em carbono, mas apenas estruturam uma redução futura. “Teríamos de desenvolver um pacote metodológico gigantesco para conseguir auferir quanto de carbono está sendo abatido”, justifica.

 

Juros atraentes

 

Em abril deste ano, o BNDES lançou a linha de financiamento do Programa Fundo Clima com atraentes taxas de juros de 2,5% a 5,5% ao ano, classificadas pelo chefe do Departamento de Meio Ambiente do banco, Marcio Macedo Costa, como “as melhores entre as melhores do BNDES”. Conforme informou, as primeiras cartas-consulta já começaram a chegar e as empresas candidatas ao financiamento devem, obrigatoriamente, encaixar-se em um dos seguintes subprogramas: modais de transporte eficiente, resíduos sólidos urbanos, energias renováveis, fornos eficientes de carvão vegetal, máquinas e equipamentos eficientes ou combate à desertificação.

 

Para o diretor de programas do Greenpeace, Sérgio Leitão, é incompreensível o fato de um país que reclama não ter dinheiro deixar o Fundo Clima encerrar este ano com quase R$ 600 milhões em caixa sem preencher a carteira de financiamento. Na opinião dele, a falta de percepção dos empresários sobre a conexão direta entre corte nas emissões e aumento na competitividade é um dos motivos da baixa demanda pelos recursos do fundo. Outra razão, aponta Leitão, é o ritual burocrático perverso que o BNDES impõe para a tomada de empréstimo.

 

O técnico do BNDES não vê sentido na crítica do dirigente do Greenpeace. Segundo Macedo, a regulamentação do fundo saiu em 2010 e o ano passado foi dedicado à sua constituição formal e arquitetura operacional. Quanto à burocracia, ele afirma que a do Fundo Clima é idêntica à das demais linhas de financiamento do banco, já conhecida pelos empresários brasileiros. “Não deixa de ser uma inovação na política pública brasileira um desenho de concessão de crédito para gerar energia renovável proveniente de uma fonte de recursos de energia fóssil.”

 

Entusiasmado com o novo programa, Marcio Macedo crê que o Fundo Clima será o instrumento viabilizador da energia solar térmica e fotovoltaica no Brasil. Para estimular empresários brasileiros a entrar no mercado de placas solares e torná-lo mais competitivo, o Fundo Clima está oferecendo a sua menor taxa de juros, 2,5% ao ano, e um longo prazo para o retorno dos recursos, 15 anos.

 

Ao contrário do BNDES, o MMA trabalha com linhas orçamentárias da União na gestão dos financia- mentos não retornáveis e, portanto, precisa executá-las ao longo do ano. Se, por um lado, isso dá mais agilidade ao fundo, por outro, deixa pouco prazo para que se cumpram os extensos trâmites do governo federal.

 

Apesar de todos os empecilhos burocráticos no processo de liberação de dinheiro público, no apagar das luzes de 2011 o MMA ainda conseguiu aprovar 23 projetos, a maioria relacionada ao Semiárido brasileiro, empenhando 98% dos recursos não reembolsáveis do Fundo Clima. De acordo com Karen Suassuna, o caminho já não parece mais tão difícil este ano, visto que os principais gargalos foram identificados. (leia mais em “Proposta para a transação econômica“)

 

Confira abaixo detalhes dos subprogramas do Fundo Clima

 

Modais de transporte eficiente: pretende estimular a fabricação de ônibus elétricos e híbridos. São projetos de grande porte e, num primeiro momento, os recursos do Fundo Clima não deverão ser suficientes para atendê-los. O BNDES está estudando formas de viabilizá-lo economicamente, por exemplo, calibrando a linha do Fundo Clima com as do seu Programa de Sustentação do Investimento (PSI) de estimulo à produção, à aquisição e exportação de bens de capital e à inovação tecnológica.

Resíduos Sólidos Urbanos: com a Política Nacional de Resíduos Sólidos em vigor, existe a expectativa de aumento dos investimentos em aterros sanitários, sistemas de gestão de resíduos, etapas de reciclagem etc. O Fundo Clima vai financiar apenas projetos de gestão de resíduos sólidos com aproveitamento energético. No caso, um gestor de aterro sanitário deverá produzir energia a partir do metano.

Energias renováveis: o foco vai para as modalidades solar (térmica e fotovoltaica), dos oceanos (a ideia é apoiar tecnologias recém saídas da bancada na criação de plantas industriais de pequeno porte) e biomassa (embora seja um ótimo produto para a co-geração de energia, a cana-de-açúcar foi excluída por já contar com linhas de financiamento do próprio BNDES). A energia eólica não entrou na linha de financiamento, pois o Comitê Gestor considera suficientes as condições já existentes para a viabilidade econômico-financeira dos projetos de eólica.

 

Fornos eficientes de carvão vegetal: o BNDES ainda está avaliando o nível mínimo de eficiência que as empresas deverão apresentar. O rendimento gravimétrico que está sendo exigido, de 35%, é considerado muito elevado. Projetos deste subgrupo só serão apoiados se for demonstrado que as madeiras são oriundas de florestas plantadas.

 

Máquinas e equipamentos eficientes: será utilizado o cadastro do Finame de máquinas e equipamentos para gerir este subgrupo, a fim de estimular os produtores a aumentarem o seu conteúdo nacional. E, para selecionar os produtos mais eficientes, o banco vai cruzar o cadastro Finame com o Programa Brasileiro de Etiquetagem do Inmetro. Serão privilegiadas as classes de equipamentos que deverão demandar avanços tecnológicos com o tempo, entre as quais: motores elétricos trifásicos; bombas centrífugas e motobombas; transformadores de distribuição; placas solares; inversores de frequência; motores a biogás e seus sistemas auxiliares de coleta e tratamento do gás. Por exemplo, no caso das motobombas só serão apoiados projetos classificados pelo Inmetro como de Nível A; já para as placas de captação de radiação solar, cuja produção no país é incipiente, não haverá restrições.

 

Combate à desertificação: a rigor, este subgrupo tem como objetivo a restauração de biomas e a promoção de atividades sustentáveis na propriedade rural de madeiras, frutos e fibras. O Comitê Gestor do Fundo Clima determinou que, por ora, os financiamentos privilegiem projetos na Região Nordeste. ( Fonte: Página 22)

terça-feira, 7 de agosto de 2012

TÜV RHEINLAND CERTIFICA PROJETOS DE GERAÇÃO DE CRÉDITOS DE CARBONO EM INDÚSTRIAS DE CERÂMICA

Cerca de 60 pequenos fabricantes deixaram de utilizar combustíveis fósseis e lenha nativa e optaram pelo uso de biomassas renováveis para o aquecimento de seus fornos

 

A substituição de lenha nativa e combustíveis fósseis por biomassas renováveis como fonte energética é resultado de uma importante iniciativa sustentável adotada por 58 pequenas indústrias cerâmicas localizadas em 12 Estados brasileiros, que gera créditos de carbono e proporciona um melhor desempenho nos aspectos sociais e ambientais dos projetos.

 

A iniciativa foi implementada pela Sustainable Carbon, uma empresa com vasta experiência no desenvolvimento de projetos de substituição de combustível e na geração de créditos de carbono que geram benefícios ambientais, sociais e financeiros a todos os envolvidos por meio do SOCIALCARBON® Standard.

 

O SOCIALCARBON® Standard é um padrão adicional desenvolvido para fortalecer os benefícios socioambientais de projetos de redução de emissão.

 

Cerca de 60 pequenos fabricantes deixaram de utilizar combustíveis fósseis e lenha nativa e optaram pelo uso de biomassas renováveis para o aquecimento de seus fornos. A substituição de lenha nativa e combustíveis fósseis por biomassas renováveis como fonte energética é resultado de uma importante iniciativa sustentável adotada por 58 pequenas indústrias cerâmicas localizadas em 12 Estados brasileiros, que gera créditos de carbono e proporciona um melhor desempenho nos aspectos sociais e ambientais dos projetos.

 

A iniciativa foi implementada pela Sustainable Carbon, uma empresa com vasta experiência no desenvolvimento de projetos de substituição de combustível e na geração de créditos de carbono que geram benefícios ambientais, sociais e financeiros a todos os envolvidos por meio do SOCIALCARBON® Standard.

 

O SOCIALCARBON® Standard é um padrão adicional desenvolvido para fortalecer os benefícios socioambientais de projetos de redução de emissão. A iniciativa é certificada pela TÜV Rheinland do Brasil, subsidiária de um dos maiores grupos mundiais de certificação, inspeção e gerenciamento de projetos.

 

São certificações voluntárias de crédito de carbono que, no período de Abril de 2006 até Maio de 2012, evitaram que cerca de 2.767.491 toneladas de CO2 fossem liberadas na atmosfera.

Segundo o gerente do Departamento de Energia e Serviços de Meio Ambiente da TÜV Rheinland, Sebastián Rosales, os combustíveis dos fornos das cerâmicas produtoras de telhas e tijolos passaram a utilizar biomassas renováveis, como resíduos de cana, casca de arroz, casca de coco, serragem e lenha de manejo com DOF (Documento de Origem Florestal).

 

“A TÜV Rheinland faz o trabalho de verificação de todas as práticas socioambientais adotadas junto a esses pequenos produtores, para avaliar se os projetos estão em conformidade com os critérios estabelecidos pela metodologia do SOCIALCARBON® e a partir de então concede a certificação, que permitirá a geração dos créditos de carbono que ao serem vendidos beneficiarão tanto os trabalhadores das fábricas como a comunidade local”, explica del Valle Rosales.

 

A metodologia SOCIALCARBON® faz uso de indicadores de sustentabilidade relacionados com os recursos: social, humano, financeiro, de biodiversidade/tecnológico, natural e carbono. Esses indicadores são identificados por meio de consultas públicas e reuniões realizadas com as partes interessadas, sendo a metodologia reaplicada e verificada de forma independente pela TÜV Rheinland, em prol da melhoria constante do desempenho sustentável das indústrias cerâmicas.

 

De acordo com o padrão SOCIALCARBON®, além da geração dos créditos de carbono, são monitorados outros benefícios socioambientais relacionados à formação profissional, saúde, segurança e melhor gestão ambiental, que se refletem nas condições de trabalho dos funcionários e na melhoria da qualidade de vida da comunidade. “A motivação pela geração dos créditos de carbono é fundamental para as melhorias de desempenho social e ambiental”, observa del Valle Rosales.

 

SOBRE A TÜV RHEINLAND

 

O Grupo TÜV Rheinland é um dos maiores em certificações no mundo. Fundada na Alemanha há 140 anos, a organização tem uma trajetória marcada pela seriedade, profissionalismo e independência. Há cerca de 40 anos, iniciou seu processo de internacionalização, a partir da Europa. Desde então, a rede não parou de crescer. A marca TÜV Rheinland está presente em milhares de produtos ao redor do mundo, garantindo que são seguros para usuários e consumidores.

 

No Brasil, a empresa possui por volta de seis mil certificações ativas, atendendo a mais de 1.500 clientes dos mais diversos setores. É uma empresa acreditada pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), do Ministério das Comunicações, e pelo INMETRO (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial) em mais de 100 escopos diferentes, tendo forte atuação junto aos setores de telecomunicações, tecnologia da informação, eletrodomésticos, máquinas, equipamentos de proteção individual, produtos médicos, produtos mecânicos de recreação e domésticos; produtos alimentícios, indústria automobilística e de autopeças e entretenimento, entre outros.

 

VENTOS DA INOVAÇÃO

 

Apenas as mudanças climáticas explicam eventos recentes

Evento discute como levar sustentabilidade para empresas do futuro

Investir em inovação pode dinamizar a economia

Biofiltro consome gás do efeito estufa em aterro sanitário

Rumo à rede elétrica inteligente

Plástico biodegradável de açúcar está pronto para escala industrial

O NOVO DESENVOLVIMENTO E O PAPEL DO ESTADO

A construção de um país é um processo cumulativo que, em determinados períodos permite saltos, mudanças de escala, alterando profundamente o tecido econômico, social e político.

Isso se dá em momentos históricos próprios, em que se formam mercados de consumo de massa.

 

Foi assim nos Estados Unidos de meados do século 19. Há um início de industrialização na costa do Atlântico. Depois, um forte movimento migratório. Quando a indústria ganha escala, busca novos mercados internos, levando o desenvolvimento para o oeste e para o sul.

 

Criam-se, então, as condições para a revolução industrial e política. Novos consumidores são agregados tanto ao mercado econômico quanto político  social. Nesse período, emerge uma pujante sociedade civil, ainda hoje o fator mais dinâmico do desenvolvimento norte-americano.

 

No Brasil, lutas sociais e inclusão social ajudaram na modernização das estruturas nos anos 30 e 50 – produzindo também crises políticas significativas.

Mas em pelo menos três momentos o país jogou fora janelas de oportunidade históricas.

 

A primeira, no final do século 19, com a Abolição da Escravatura e a política migratória. Falta de políticas inclusivas e de oportunidades para os imigrantes atrasaram o desenvolvimento do mercado interno.

 

A segunda janela perdida foi nos anos 70. Completa-se a urbanização brasileira, desenvolvem-se novos centros industriais e uma enorme seca expulsa populações inteiras do nordeste para o sudeste. Ao mesmo tempo, pelo menos na primeira metade da década o país experimentou taxas elevadas de crescimento. Uma melhor distribuição de renda forneceria as bases internas para um crescimento sustentado.

 

A terceira janela de oportunidade foi o próprio Plano Real. O mero fim da inflação trouxe milhões de brasileiros para o mercado de consumo em um momento de profundas transformações na cadeia produtiva das multinacionais. As jogadas com o câmbio e juros mataram essa possibilidade, adiando em 12 anos a explosão do mercado interno de consumo.

 

Com o aumento do salário mínimo e as políticas de transferência de rendas, emergiu um novo mercado de consumo que mudou a escala da produção das empresas.

Mais que isso, trouxe um novo pensamento sistêmico à economia brasileira, fugindo das análises terrivelmente emburrecedoras dos cabeças de planilha.

 

O cabeça de planilha primário tende a considerar todo gasto social como despesa, quase próxima ao desperdício. No entanto, além da responsabilidade do país para com as populações vulneráveis, políticas de transferência de renda possibilitam:

 

  •  Melhoria no sistema educacional, ao substituir a mendicância pela escola para as crianças de baixa renda.
  •  Melhoria substancial nos gastos com saúde, ao afastar as famílias da subnutrição e seus riscos.
  •  Melhoria na segurança, ao deixar jovens menos expostos ao crime organizado.
  •  Dinamização do mercado interno.
  •  

O grande desafio será mudar as formas de financiamento da Previdência e das políticas sociais, tirando o peso das folhas de salário, de maneira a desonerar a mão-de-obra.

* Luis Nassif é jornalista econômico e editor do site www.advivo.com.br/luisnassif – lnassif2011@bol.com.br. Publicado originalmente no site Carta Capital.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

CARBONO FLUTUA NA EUROPA E DISPARA NA CALIFÓRNIA

Enquanto os participantes ficam na expectativa de mais detalhes sobre a reforma do mercado europeu, o carbono continua instável; já na Califórnia o ambiente é mais otimista com a aproximação da entrada em vigor do controle de emissões

 

Mesmo com muitos participantes do Esquema de Comércio de Emissões da União Europeia (EU ETS) enxergando como positivo o anúncio da Comissão Europeia (CE) de que buscará reduzir a disponibilidade de permissões de emissão (EUAs) nos próximos anos, as negociações no mercado não reagiram tão bem. 

 

Na quarta-feira (25), as EUAs para dezembro caíram 4% novamente para níveis inferiores a €7. O motivo foi a falta de detalhes e números nos planos da comissão, segundo especialistas.

 

Na quinta-feira (26), as EUAs caíram para €6,57/t no início do dia antes de retomarem forças, assim como os outros mercados europeus, com a declaração do presidente do Banco Central Europeu de que faria o que fosse preciso para dar suporte ao euro. As EUAs fecharam o dia em €6,92/t. As Reduções Certificadas de Emissão (RCEs) para dezembro alcançaram novamente o valor mais baixo já registrado no início do dia, fechando com €2,89.

 

Isabelle Curien, analista do Deutsche Bank, disse que o anúncio da CE foi mais positivo do que negativo, mas que enquanto não houver mais clareza nos números, o mercado continuará volátil. Já o conselheiro de políticas da ONG Sandbag, Damien Morris, lamentou o adiamento das propostas pela comissão, porém elogiou o plano de esclarecimento legislativo das medidas a serem tomadas em relação aos leilões de permissões de emissão.

 

Em um cenário completamente diverso do imbróglio na União Europeia, o esquema californiano de comércio de emissões entra em uma época onde as certezas sobre a sua entrada em vigor trazem bons presságios aos envolvidos no mercado.

 

As permissões de emissão da Califórnia, chamadas California Carbon Allowances (CCAs), para entrega em 2013 superaram nesta terça-feira (24) os US$ 20 pela primeira vez desde setembro.

 

PREVISÕES

Especialistas da Bloomberg New Energy Finance (BNEF) esperam que os preços cresçam significativamente até 2020 tanto no EU ETS quanto na Califórnia, com a estimativa de se manterem na faixa dos €45/tCO2 (US$55/tCO2). Isso porque as metas de corte de emissões em ambos devem ficar mais rígidas na próxima década.

 

Eles ressaltam que o fato do valor ser praticamente o mesmo é coincidência, já que os dois esquemas são completamente diferentes, tanto no fato de o esquema europeu estar conectado ao Protocolo de Quioto, ao contrário do da Califórnia, quanto das características ímpares dos setores envolvidos.

 

"Apesar de parecer que a Europa tem vontade política de dar mais força ao EU ETS em longo prazo, o processo para consertar os problemas continua a sofrer atrasos. O mercado precisa de ambição e estabilidade estrutural para retomar a importância perdida", comentou Matthew Cowie, chefe de pesquisas em mercados de carbono da BNEF.

 

Na América do Norte, onde grande parte das pessoas acredita que qualquer medida que visa combater as emissões de gases do efeito estufa esteja condenada, a BNEF enxerga uma iniciativa extremamente significativa por parte da Califórnia.

 

"Este mercado terá impacto em algumas das maiores usinas de energia do país e nos maiores players mundiais do petróleo e gás, entre outros", comemorou Michel Di Capua, chefe de pesquisas da BNEF na América do Norte.

 

Os contratos futuros na Califórnia vêm sendo negociados desde 2011 e o mercado a vista deve iniciar em 2013.

 

MDL REFORÇA INCENTIVOS PARA PAÍSES POUCO REPRESENTADOS

Em sua última reunião, o Comitê Executivo do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) adotou diretrizes que buscam incentivar a participação de países que pouco se beneficiaram do esquema até agora.

 

Uma das medidas aprovadas visa aprimorar a avaliação dos projetos de pequena escala, algo que deve ampliar bastante os benefícios do esquema para países com baixa representatividade.

 

O comitê adotou diretrizes que aumentam a atratividade de uma série de projetos menores, como aqueles que visam a instalação de fornos, aquecedores solar de água, biodigestores e outros sistemas eficientes movidos a energias renováveis.

 

“Nosso objetivo era elaborar diretrizes funcionais que diminuam os custos transacionais, garantindo que as reduções de emissão produzidas sejam reais, mensuráveis e adicionais. Conseguimos isto”, comentou o presidente do comitê, Maosheng Duan.

 

“O resultado deve ser o desenvolvimento de muitos projetos benéficos em regiões que ainda não tiraram proveito de forma integral do MDL. É muito animador.”

 

Junto com essas diretrizes, uma outra mudança permite que taxas rurais de eletrificação sejam usadas pelos países como indicadoras de barreiras aos projetos, portanto, demonstrando a sua adicionalidade.

 

Há algum tempo, diferentes interessados no MDL têm pedido pelo estabelecimento da chamada “lista positiva” de projetos que possam se qualificar sem procedimentos elaborados e caros de validação.

 

As listas são muito úteis quando combinadas com Programas de Atividades (PoA), uma ferramenta do MDL que agrupa projetos similares de pequeno porte e que é tida como essencial para aumentar a escala e ampliar o alcance do MDL, principalmente em regiões mal representadas no esquema.

 

A 68° reunião do MDL também aprovou um plano para aumentar o suporte financeiro a países que estão trabalhando para a padronização das suas linhas de base, usadas pelos projetos para mensurar suas reduções de emissão.

 

A medida, focada em países com dez ou menos projetos registrados, deve incentivar o desenvolvimento de linhas de base padronizadas e consequentemente ampliar a escala de corte nas emissões e a eficiência e objetividade na avaliação dos projetos.

 

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

 

 Além disso, o Comitê Executivo do MDL também considerou formas para que os participantes dos projetos possam ressaltar voluntariamente os benefícios ao desenvolvimento sustentável dos seus projetos.

 

A responsabilidade pela decisão sobre a contribuição de um projeto ao desenvolvimento sustentável continua com o país anfitrião, mas o comitê está pensando em uma maneira de os participantes relatarem de forma mais estruturada e consistente estes benefícios. O comitê pediu que o secretariado da UNFCCC lançasse uma chamada pública para arrecadar contribuições e pretende finalizar o sistema na sua próxima reunião.

 

A ONG CDM Watch criticou a iniciativa do Comitê Executivo do MDL: "Uma oportunidade inicialmente promissora foi infelizmente desperdiçada quando se decidiu que essa ferramenta deve ser voluntária, sem monitoramento algum. Em outras palavras, inútil".

 

A ONG afirma que por ser voluntária a avaliação dos impactos negativos do projeto ao desenvolvimento sustentável se torna nada além de uma "piada". A ausência de monitoramento "significa que os benefícios declarados ao público não podem ser verificados, monitorados ou questionados se necessário, ao menos não por canais oficiais", lamentou o CDM Watch.

 

Apesar disso, a ONG enfatiza a importância de se tocar no assunto do desenvolvimento sustentável, "um lado do sistema que há tempos tem sido esquecido", sendo um primeiro passo essencial em direção a "medidas futuras mais profundas e eficientes".

 

CARVÃO

 

O comitê também discutiu uma revisão da metodologia de incentivo para uma geração mais eficiente de eletricidade proveniente de combustíveis fósseis (ACM0013).

 

No final de 2011, a ACM0013 havia sido suspensa pelo comitê após o painel de metodologias da UNFCCC ter apresentado evidências de que projetos de usinas a carvão sob o MDL estavam recebendo muito mais créditos do que o devido. Agora, o painel de metodologias preparou uma revisão para a ACM0013, porém, o comitê decidiu devolver a minuta para que o painel considere “abordagens alternativas que garantam a sua integridade ambiental”.

 

"Apesar de a metodologia ter sido consideravelmente aprimorada, ainda não lida integralmente com os temores que inicialmente levaram o comitê a suspendê-la", comentou a ONG CDM Watch em sua newsletter. Entre outros, a ONG alega que a metodologia ainda pode oferecer incentivos perversos para os projetos.