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quarta-feira, 13 de junho de 2012

ETANOL É O VERDADEIRO VEXAME AMBIENTAL

Que Código Florestal, nada. O grande fiasco brasileiro na Rio+20 se esconde no etanol. O país que ensinou ao mundo como trocar a gasolina fóssil pelo álcool renovável engata marcha ré na utilização do combustível limpo. Um vexame ambiental. 

 

Pode-se comprovar facilmente esse retrocesso na bioenergia. Em 2011, o consumo dos combustíveis derivados de petróleo - gasolina principalmente - cresceu 19%, enquanto o uso do etanol nos veículos despencou 29%. Não precisa dizer mais nada. Anda na contramão da história a matriz energética dos transportes no Brasil.

 

Aconteceu que os consumidores reagiram ao desequilíbrio de preços a favor da gasolina. Duas razões básicas explicam a mudança do mercado. Primeiro, o governo federal tem reduzido o encargo da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre a gasolina, taxa que nos últimos anos recuou de 14% para 2,6%. Em consequência, acabaram praticamente equiparados os custos tributários de ambos os combustíveis. Uma política moderna de sustentabilidade, como buscada em todo o mundo, procederia ao contrário, ou seja, reduziria a carga tributária sobre o biocombustível, não sobre o derivado de petróleo.

 

Trata-se, obviamente, de uma decisão política, arcada pelo governo federal desde 2002. Com a redução da referida taxa, a Petrobrás, que normalmente deveria ter elevado o preço dos derivados de petróleo para manter sua competitividade global, se compensa pela perda de rentabilidade recolhendo menos imposto ao governo. Tudo dissimulado. Conta paga pela sociedade.

 

Em segundo lugar, a gasolina barata segura, obviamente, o preço do etanol na bomba, roubando margem dos produtores. Pouco lucrativa, a atividade alcooleira vê sua matéria-prima se direcionar para a fabricação de açúcar, movimento que se observa há tempos nas usinas. Bastante rentável no mercado internacional, o açúcar estimula a pauta das exportações. Resultado: a oferta de etanol se retrai, tendendo a elevar seu preço no posto de combustível, espantando a freguesia. Elementar.

 

O Brasil produziu cerca de 28 bilhões de litros de etanol nesta última safra (2010/2011). Nos EUA o volume já ultrapassou 50 bilhões de litros. Incrível. O país que inventou o Proálcool, obtido a partir da cana-de-açúcar, está tomando poeira dos gringos, que destinam 40% de sua safra de milho para a fermentação alcoólica. Mais ainda. A necessidade de manutenção de estoques confiáveis começou a exigir volumosas importações de etanol. Sabem de quem? Dos norte-americanos, claro. No ano passado, o Brasil comprou acima de 1,1 bilhão de litros de etanol dos EUA. Acredite se quiser.

 

Não é à toa que paira desilusão no setor sucroalcooleiro. Estimulados pela agenda da economia verde, nos transportes viabilizada definitivamente com a geração dos motores flex fuel, inéditos e fortes grupos, nacionais e multinacionais, entraram na atividade. Anunciaram planos formidáveis que, após quatro anos, micaram, roubando o fôlego do parque alcooleiro. Notícia ruim chega dos canaviais. E quem pensa que é chororô de usineiro se engana feio. Corretores garantem que 20% das usinas do Centro-Sul estão à venda. Sem comprador. As chamadas greenfields, novas plantas a serem construídas, em vários Estados, ficaram no papel. O pouco dinamismo existente advém da ampliação e modernização de fábricas já instaladas. Passos de tartaruga no etanol.

 

 Milhares de estudiosos, ambientalistas e jornalistas se encontrarão logo mais na Rio+20. O governo brasileiro fará ginástica para justificar o inexplicável. Enquanto as nações se debruçam para encontrar soluções capazes de esverdear sua (suja) matriz energética, por aqui se desperdiça uma oportunidade de ouro, retrocedendo no uso do combustível renovável. 

 

Os produtores de cana-de-açúcar e os usineiros de etanol, por sua vez, lançaram por aqui o Movimento Mais Etanol, querendo influenciar a mídia e sensibilizar o governo para sua agenda. Eles se propõem a dobrar de tamanho até 2020 - o que, ademais, geraria 350 mil empregos diretos -, mas precisam viabilizar uma estratégia de política pública que devolva ao etanol a competitividade roubada pelo controle dos preços da gasolina. Basta, de cara, reduzir a carga tributária sobre o biocombustível. 

 

Gasolina barata e etanol caro acabam criando um círculo vicioso contra o meio ambiente, prejudicando a saúde pública. Segundo a Agência de Proteção Ambiental norte-americana (EPA, na sigla em inglês), o etanol derivado da cana-de-açúcar pode ajudar a reduzir até 91% o efeito estufa da Terra, quando comparado com as emissões advindas da queima de gasolina. Mas, curiosamente, o ambientalismo pouca bola dá para essa tragédia da poluição urbana. O foco de sua ferrenha atuação, conforme se verificou na questão do novo Código Florestal, mira no assunto da biodiversidade. Contra o desmatamento

 

A intolerância dos ambientalistas agride os agricultores, como se do campo partisse todo o mal contra a natureza. Citadinos, eles poupam as desgraças ecológicas provocadas pela urbanização, a começar pelos escapamentos veiculares. Novos estímulos públicos ao setor automobilístico favoreceram agora as montadoras. Nenhum compromisso ambiental se firmou. Pouco importa, tristemente, aos radicais verdes

 

Tal miopia do movimento ambiental, infelizmente, ajudará o governo a esconder, na Rio+20, o retrocesso na agenda do etanol. Seria interessante, aliás, como subproduto da reunião, discutir para onde caminha o ambientalismo brasileiro. 

 

A incrível capacidade fotossintética do Brasil garante enorme vantagem na produção de biocombustível, energia renovável misturada com geração de empregos. Desprezá-la significa maltratar o etanol, um filho da Pátria. Fonte: Xico Graziano é agrônomo, foi secretário de Agricultura e secretário do Meio Ambiente do estado de São Paulo. O Estado de São Paulo

 

terça-feira, 12 de junho de 2012

THOMSON REUTERS POINT CARBON E GOVERNO DO ESTADO DO RIO CRIAM PRIMEIRO MERCADO DE EMISSÕES NO BRASIL

A Thomson Reuters Point Carbon e o Governo do Estado do Rio de Janeiro anunciam a assinatura do decreto que cria o primeiro mercado estadual de emissões de carbono do Brasil. O decreto será assinado pelo governador Sérgio Cabral, no Pavilhão do Estado do Rio de Janeiro, Parque dos Atletas, um dos locais da Rio+20, amanhã (13/6), às 13h30, e contará com a presença do Secretário Estadual do Ambiente, Carlos Minc. Também estarão presentes o Secretário Estadual de Desenvolvimento do Estado do Rio de Janeiro, Julio Bueno, e o diretor do departamento de consultoria da Thomson Reuters Point Carbon, Nelson Sam.

 

O mercado de carbono do Estado do Rio de Janeiro terá como principal foco os maiores emissores do estado, e tem início previsto para 2013. A primeira fase da iniciativa ocorrerá entre 2013 e 2015. As fases seguintes, por sua vez, terão duração de cinco anos cada. Segundo o último inventário de gases de efeito estufa, o Estado do Rio de Janeiro emitiu aproximadamente 72 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO2e) em 2005, sendo o setor industrial responsável por aproximadamente 32% das emissões totais.

 

"O novo mercado estadual de carbono confirma a posição de vanguarda do Rio de Janeiro nas discussões ambientais e dá um passo a mais para que o nosso estado seja um centro de referência em ações em prol do desenvolvimento sustentável", comentou o governador Sergio Cabral.

 

O diretor do departamento de consultoria da Thomson Reuters Point Carbon, Dr. Nelson Sam falou sobre o projeto: “Estamos muito entusiasmados em trabalhar nessa iniciativa pioneira de criação de um mercado estadual de carbono.” Ele acrescentou que o mercado de carbono é um elemento importante de um projeto maior da Subsecretaria de Economia Verde, da Secretaria de Estado do Ambiente (SEA), para desenvolver o conceito de Economia Verde no estado.

 

A subsecretária de Economia Verde da SEA, Suzana Kahn, disse que o governo está em contato com governos de outros estados e também com o governo federal. “O Rio será um piloto e nós queremos engajar outros estados no processo para que, com o tempo, um mercado nacional de carbono possa surgir”, afirmou.

 

As empresas afetadas pelo mercado de carbono do Estado do Rio de Janeiro incluem a petrolífera Petrobras e a siderúrgica TKS. Outros setores industriais incluídos no mercado são os de cimento, cerâmicas, químico e petroquímico. O texto do decreto estabelece as regras do mercado, como a meta de redução, a distribuição das cotas de emissão e o uso de créditos de carbono para compensação parcial das emissões.

 

Mercados de carbono nacionais e regionais têm emergido em diferentes partes do globo. A exemplo do maior mercado de carbono já estabelecido na Europa (European Union Emission Trading Scheme - EU ETS), a iniciativa dos estados da costa oeste dos Estados Unidos, chamada Western Climate Initiative, reúne a Califórnia, British Columbia, Quebec, Ontário e Manitoba em uma colaboração para identificar e implementar políticas de combate às mudanças climáticas na esfera regional. A Califórnia também está criando seu próprio mercado de carbono, que irá sancionar apenas os setores indutriais e de geração de energia em um primeiro momento. A inclusão de outros setores se dará em 2013. A Iniciativa de Gases do Efeito Estufa Regional (Regional Greenhouse Gas Initiative – RGGI) é um mercado de carbono estabelecido entre nove estados da costa leste dos Estados Unidos que entrou em vigor em 2009. O mercado de carbono australiano começa em 2015.

 

Sobre a Thomson Reuters Point Carbon

 

A Thomson Reuters Point Carbon é um fornecedor de intelegência de mercado, notícias, análises e serviços de consultoria nos mercados de energia e sustentabilidade. Seu departamento de consultoria foi premiado em 2011 como a empresa de consultoria do ano pela Energy Risk Awards pelo desenvolvimento do primeiro projeto de NAMA (Nationally Appropriate Mitigation Action) no México.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

CARTILHA SOBRE INSTRUMENTOS DA ECONOMIA VERDE PROPÕE LEITURA CRÍTICA DA CONFERÊNCIA

Você sabe o que é mercado de carbono? E os Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL)? Já ouviu falar em Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação, Conservação, Manejo Florestal Sustentável (REDD)? Pagamento por Serviços Ambientais (PSA)? Todos estes instrumentos e conceitos, que fazem parte da assim chamada economia verde, estão explicados e detalhados na cartilha "O Lado B da Economia Verde - Roteiro para uma cobertura jornalística crítica da Rio+20".

 

Com exemplos de como tais mecanismos têm sido aplicados na prática no Brasil e opiniões críticas de acadêmicos e especialistas, a cartilha foi pensada para auxiliar jornalistas envolvidos na cobertura do evento, mas pode ser útil para qualquer um que tenha interesse em aprender e se aprofundar sobre os temas em discussão.

 

Produzida em parceria da Fundação Heinrich Boell com a Repórter Brasil, a cartilha traz uma análise sobre o novo ambientalismo de mercado que tem permeado os debates em torno da na perspectiva de seus críticos. Uma das principais pautas da conferência, a economia verde ainda carece de consenso entre os negociadores dos Estados-membros das Nações Unidas quanto à sua conceituação e definição. Grosso modo, porém, seus proponentes apostam em um uso mais economicista dos recursos naturais – rebatizados de capital natural, defendendo novas regras de lucratividade inerentes à preservação ambiental, para que ela se justifique.

 

Modelo de desenvolvimento

 

A premissa de que a proteção do meio ambiente só ocorrerá se for economicamente vantajosa, no entanto, tem sido duramente criticada por parte da sociedade civil organizada, cientistas e acadêmicos. De acordo com eles, esta lógica deixa de fora os aspectos científicos e biológicos ligados à saúde do planeta, e sociais, culturais e espirituais inerentes à sobrevivência das populações rurais e tradicionais que dependem e convivem com a natureza e seus recursos. Acima de tudo, nega o fato de que as crises climáticas e ambientais são decorrência direta de um modelo de desenvolvimento intrinsecamente predador e depredador.

 

Abordando este debate numa perspectiva crítica, a cartilha traça um quadro das várias forças que deverão atuar na Rio +20, focando em seguida nos principais instrumentos já criados ou propostos para fortalecer o ambientalismo de mercado. Basicamente, são analisados os conceitos de mercado de carbono, Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL), Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação, Conservação, Manejo Florestal Sustentável (REDD) e Pagamento por Serviços Ambientais (PSA). Além de explicar criticamente o funcionamento destes instrumentos, a cartilha aborda seu status no Brasil e traz exemplos polêmicos de sua aplicação no país. Por: Redação TN / Repórter Brasil / EcoAgência

COPPE E PNUMA INAUGURAM INSTITUTO DE TECNOLOGIAS VERDES

Um novo espaço para o diálogo internacional e a formação científica no campo da tecnologia, geração de empregos e economia 'verdes' foi inaugurado ontem (4) pela Coordenação de Programas de Pós-Graduação de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ). Trata-se do Instituto Global para Tecnologias Verdes e Emprego ou GIGTECH (Global Institute for Green Technology and Employment), lançado com apoio do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e da Secretaria de Meio Ambiente do estado do Rio de Janeiro

 

A inauguração do instituto se insere na programação pré-Rio+20 e reuniu à mesma mesa a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira; o chefe da Divisão de Política Ambiental e Desenvolvimento Sustentável do Ministério das Relações Exteriores, embaixador André Corrêa do Lago; o diretor executivo do Pnuma, Achim Steiner; o secretário de Estado do Ambiente do Rio de Janeiro, Carlos Minc; o reitor da UFRJ, Carlos Antônio Levi; e o diretor da Coppe/UFRJ, Luiz Pinguelli Rosa. 

 

 O GIGTECH, cuja sede fica no Parque Tecnológico da Cidade Universitária, vai integrar ações e atividades voltadas para o desenvolvimento sustentável e a inclusão social. O local também vai abrigar o Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC) e o Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas (FBMC), ambos já sediados na Coppe e dedicados a estudos sobre clima e aquecimento global. 

 

 Empregos verdes - Convidado também a comentar o mais recente relatório da Organização Internacional do Trabalho e do Pnuma sobre empregos relacionados a tecnologias sustentáveis, Achim Steiner afirma que a transformação para uma economia mais verde poderia gerar entre 15 milhões e 60 milhões de novos empregos em todo o mundo, o que retiraria dezenas de milhões de trabalhadores da pobreza. "É uma mudança fundamental", ressalta

 

Por sua vez, o embaixador André Corrêa do Lago sugeriu que as universidades fossem "modelos de desenvolvimento sustentável", servindo como exemplo para o resto da sociedade. O diretor da Coppe/UFRJ, Luiz Pinguelli Rosa, lembrou alguns projetos desenvolvidos no instituto que têm como objetivo garantir empregos protegendo o meio ambiente, como usinas de energia movidas a ondas e produção de cimento com baixa emissão de carbono. E lembrou que a energia eólica, atualmente representando 0,8% da produção elétrica nacional, deve crescer mais de 500% entre 2010 e 2015. 

 

 A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, afirma que a criação do instituto, além de proporcionar inovação tecnológica, "vai aproximar os temas do dia a dia do brasileiro e fazer as pessoas entenderem que [não importa] se é verde ou 'rainbow', a gente quer uma economia sustentável, com muita objetividade". "Não somos um país de síndicos e sim um país com a missão de tomar decisões, de pensar", pontua. 

 

 Rio+20 - Izabella reforça que a Rio+20, Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, cujas atividades começam na próxima semana, "não é uma conferência modelo para documentos". "Isso foi a Rio 92. Agora é hora de os países desenvolvidos colocarem sobre a mesa seus projetos, e não apenas os países em desenvolvimento", lembra, ressaltando a importância de trabalhar com os três pilares (econômico, social e ambiental) integrados. "Queremos expandir o debate, não é uma questão de engenharia ou economia, e sim de sobrevivência. É preciso que um número mais amplo de pessoas se envolva", completa o reitor da UFRJ, Carlos Antônio Levi. 

 

André Corrêa do Lago revela que as últimas negociações em torno dos assuntos da conferência apresentaram "progressos". "Os grandes temas estarão presentes, é só uma questão de como redigir para que sejam aceitos pelos países. Mas estamos muito próximos de ter um documento que crie os instrumentos para passarmos a uma fase mais efetiva da utilização do paradigma de desenvolvimento sustentável", assegura, recordando que a ideia é equilibrar os Objetivos do Milênio e os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável

 

No entanto, grande parte dos impasses se origina das divergências de interesses de países desenvolvidos e em desenvolvimento. "Está sendo muito difícil para os países em desenvolvimento avançarem em certos temas porque os desenvolvidos não estão se mexendo em meios de implementação, que são os recursos financeiros e a tecnologia. Os países desenvolvidos estão muito duros na negociação", explica Lago. 

 

 O embaixador acredita que a mudança dos padrões sustentáveis de produção e consumo será um dos "maiores estímulos à economia mundial". E que o Brasil é o país que "absorve de maneira mais natural a agenda do desenvolvimento sustentável". "Em várias áreas o Brasil já é líder e a inauguração de um instituto como esse é a demonstração do desejo do País de ir mais além, pois tem o potencial de ganhar com essa agenda mais do que qualquer outro em desenvolvimento", conclui. Fonte:Jornal da Ciência

domingo, 10 de junho de 2012

CHINA LIDERA PRODUÇÃO MUNDIAL DE TECNOLOGIA LIMPA

Documento da WWF aponta que gigante asiático ultrapassou União Europeia e agora é o maior mercado de tecnologia verde do mundo, tendo alcançado vendas no patamar de €57 bilhões no ano passado

 

Um novo relatório publicado nesta terça-feira (5) pela ONG WWF revelou que a China é a nova líder mundial no setor industrial de tecnologia e energia limpa em termos absolutos, passando a União Europeia nesta marca.

 

O documento, intitulado 'Economia Limpa, Planeta Vivo', classificou 40 países a partir do valor de vendas dos produtos de tecnologia de energia limpa que eles produziram. O relatório indicou que a indústria de tecnologias verdes cresceu 10% em 2011, chegando a quase €200 bilhões. Neste ritmo, a organização prevê que até 2015 esse mercado atinja entre €240 bilhões e €290 bilhões, ultrapassando o setor de equipamentos de petróleo e gás.

 

A nova líder do mercado teve um crescimento no último ano de €13 bilhões, chegando a €57 bilhões. A China alcançou o segundo lugar como centro de produção com mais rápido crescimento, com 29%, tendo ficado atrás apenas de Taiwan, que cresceu 36% em 2011. Em terceiro lugar figurou a Índia, com um crescimento de 19%, em quarto a Coreia do Sul, também com 19%, e em quinto os Estados Unidos, com 17%.

 

"A vontade política é o que separa os vencedores dos perdedores em uma economia limpa do futuro, e é isso que os rankings mostram. O governos deles investiu, e agora os vencedores estão ganhando as vendas, os empregos e a tecnologia", comentou Samantha Smith, líder global de políticas climáticas e energéticas do WWF.

 

"Todos os países que estão ganhando os mercados globais perceberam que a tecnologia limpa é uma parte importante de suas políticas energética, econômica e industrial. Esses países estão apoiando a indústria da tecnologia energética limpa, e têm políticas estáveis de longo prazo que geram investimentos verdes. Eles incentivam as áreas certas, e agora estão colhendo os frutos", acrescentou Smith.

 

Já a UE, que até recentemente liderava o setor, teve queda nas vendas da indústria de tecnologia limpa na maioria de seus países, como resultado da recessão econômica que atingiu o bloco, o que aumentou o risco de investimentos e reduziu-os. As vendas do setor verde caíram 5% na Europa.

 

Individualmente, as quedas foram de, por exemplo, 9% na Espanha, 14% nos Países Baixos e 30% na França. Apenas a Alemanha e a Dinamarca tiveram bons resultados, alcançando respectivamente o terceiro e o primeiro lugares em se tratando de vendas por porcentagem de produto interno bruto (PIB).

 

"Se a Europa quer voltar à disputa, precisa de novas e ambiciosas metas para estimular a produção de sua tecnologia limpa para novos níveis de desempenho, e para se manter competitiva na economia do século XXI", sugeriu Jason Anderson, diretor de políticas climáticas e energéticas do Escritório Europeu do WWF.

 

Mesmo o valor das vendas tendo crescido 10%, o volume aumentou ainda mais, o que indica que a energia verde está ficando rapidamente mais barata. Nesse sentido, a Europa mais uma vez teve uma má notícia: apesar dos fabricantes europeus terem vendido mais, eles ganharam menos.

 

"A queda de preço é uma boa notícia para os consumidores, mas para continuar gerando receita os fabricantes da UE têm que acompanhar a competição. A política pode ajudar, criando condições estáveis para investimento e inovação", observou Anderson.

 

Brasil

 

O Brasil apresentou relativamente bons resultados na classificação, mantendo seu crescimento de 3% no setor de tecnologias limpas, com as vendas atingindo €7,5 bilhões em 2011. Com isso, o país ficou em quarto lugar no ranking absoluto.

 

De acordo com o documento, a maior parte das vendas de tecnologia verde no Brasil ficou por conta do bioetanol e do biodiesel, embora o volume de produção do bioetanol tenha diminuído 26% devido a uma má colheita no último ano, fator que foi compensado com um aumento nos preços, tendo as vendas totais caído apenas 5%. Já a produção de biodiesel no país teve um aumento de 52%.

 

O documento também salienta a produção de turbinas eólicas no Brasil, embora reconheça que ela ainda é volátil, tendo mostrado uma redução de 21% em 2011 devido a questões financeiras dos fabricantes.

 

"O relatório mostra que a produção de tecnologia limpa é uma grande oportunidade de negócio e um elemento essencial para trilhar o caminho do desenvolvimento sustentável", concluiu Anderson.

* Publicado originalmente no site do Carbono Brasil.

 

quinta-feira, 7 de junho de 2012

DAS LAGOAS PARA AS INDÚSTRIAS

Pergunte a um operador de turbinas hidrelétricas o que ele acha dos aguapés e provavelmente a resposta será – #*&*#! – impublicável. Faça a mesma pergunta a um encarregado de uma estação de tratamento de água e a resposta seguirá no mesmo calão.

 

Eles têm lá suas razões: algumas espécies de aguapés, como o super comumEichhornia crassipes, podem se multiplicar rapidamente, tanto por meios vegetativos, como por frutos e sementes abundantes. Então infestamreservatórios, canais de irrigação, rios de fluxo lento e lagoas. Em alguns casos, chegam a cobrir por completo a superfície e roubam a luz das algas que oxigenam a água, causando a redução do oxigênio dissolvido e a morte dos seres aquáticos que dele dependem.

 

Em pouco tempo, o excesso dessas plantas também acidifica a água, devido à concentração de matéria orgânica em decomposição. A acidez é fatal para asturbinas e outros equipamentos utilizados pelo homem, daí o praguejar dos operadores, reforçado pelo fato de os aguapés também entupirem canos, dutos e outras passagens.

 

Mas aguapés também têm seus defensores. Pelo fato de absorverem poluentes inorgânicos, como metais pesados, e orgânicos, como os presentes nos esgotos domésticos, eles são usados na filtragem de corpos d’água poluídos. O processo é simples: basta deixar os aguapés se multiplicarem e aos poucos eles absorvem e retêm os poluentes. Aí é só retirar os aguapés da água e… fazer o quê com aquela montanha de plantas em decomposição, embebidas em poluentes?!

 

O engenheiro químico José Dilcio Rocha, pesquisador da Embrapa Agroenergia tem uma excelente alternativa: transformar tudo em bio-óleo. Expert em bioenergia, ele trabalha com isso desde 1998 e já foi pesquisador visitante ou consultor em diversas instituições, como a Universidade de Strathclyde, em Glasgow, na Escócia; o National Renewable Energy Lab, no Colorado, EUA, e o Centro Nacional de Referência em Biomassa, Cenbio, em São Paulo. E considera o aguapé uma das boas fontes de biomassa disponíveis para produção de bio-óleo. As outras são serragem, resíduos da produção comercial de eucaliptos, resíduos agrícolas e lodo de estações de tratamento de esgotos.

 

O bio-oléo pode ser produzido a partir de um desses resíduos ou da mistura deles. E os aguapés eventualmente utilizados não precisam ser de uma espécie só ou apenas de reservatórios poluídos: José Dilcio também participou de um grupo multinstitucional –Embrapa, Universidade Estadual de Campinas-Unicampe a empresa Bioware – que avaliou a viabilidade de produção do bio-óleo a partir das ilhas flutuantes de aguapés que descem pelos rios do PantanalMatogrossense durante as cheias, conhecidos por lá como camalotes.

 

“O aguapé é uma fonte de biomassa genuinamente brasileira e faz parte de um grupo de materiais que ninguém quer, mas tem vários aproveitamentos”, pondera José Dilcio. “Esses materiais podem e devem ser usados para alimentar processos industriais ‘flex’ (numa referência aos automóveis que funcionam com dois tipos de combustível)”.

 

Segundo o especialista, os resíduos são degradados termicamente em um reator até virarem vapor, depois condensado para a obtenção do óleo. Esse processo chama-se pirólise e pode ser realizado em instalações relativamente simples. Isso viabiliza a montagem de reatores onde quer que estejam as montanhas de resíduos, dispensando o transporte da matéria-prima até uma instalação industrial.

 

Em geral, a temperatura do reator fica entre 450 e 550 graus centígrados, o que é considerada uma temperatura moderada em instalações industriais.

 

“Podemos obter, ao mesmo tempo, energia e um combustível sintético renovável. O gás produzido no processo pode realimentar o próprio reator e o bio-óleo serve para diversos processos industriais, substituindo derivados de petróleo”, acrescenta José Dilcio. No caso do aguapé, 60% da matéria-prima vira bio-óleo e sobra de 25 a 30% como um pó de carvão. Que também tem utilidade, diga-se de passagem, como condicionante de solo para retenção de água ou para a fabricação de fertilizantes de lenta liberação. O restante vira vapor, sem emissões de gases-estufa, sem queima de combustíveis fósseis.

 

Não sei, não, mas se a indústria apostasse no bio-óleo de aguapé (e outros resíduos) como o setor de transportes aposta no etanol de cana-de-açúcar, o Brasil seria até capaz de fazer bonito nas penosas negociações sobre Mudanças Climáticas…

 

BRASIL DO FUTURO: ELABORANDO ESTRATÉGIAS COM A ABORDAGEM DA GESTÃO SÓCIO TÉCNICA

Com o título "Brasil do Futuro: Elaborando Estratégias com a abordagem da Gestão Sócio Técnica", grupo de pesquisadores apresenta um modelo de gestão participativa, baseado em uma perspectiva sociotécnica, que pode contribuir para a emancipação de um pensamento político que seja capaz de formular uma visão de futuro de longo prazo.

 

O trabalho foi apresentado no "8th Annual International Conference on Computer Science and Information Systems", organizada pelo "Athens Institute for Education and Research (ATINER), na Grécia, de 21 a 24 de maio. A pesquisa contou com o apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

 

O texto abaixo é um resumo do artigo de autoria de Antonio J. Balloni, pesquisador do Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI), Paulo J.P. Resende, pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e Andrew S. Targowski, da Western Michigan University, Department of Business Information System (WMU/USA).

 

"No decorrer de cinco séculos, o Brasil emergiu de uma realidade de terra primitiva e tornou-se um país multi-étnico, considerado uma das maiores economias mundiais, com seu território integrado e disposto a projetar-se como um ator relevante do complexo jogo de poderes mundial. No entanto, o País teve o seu pensamento político "capturado" por uma agenda econômica baseada em ciclos temporais cada vez menores - qüinqüenais, bianuais, anuais, semestrais, bimestrais, mensais ou mesmo ciclos de alguns dias de duração, perdendo a sua visão sobre o futuro desejado. Um modelo de gestão participativa, baseado em uma perspectiva sociotécnica, representa a oportunidade para a emancipação de um pensamento político que seja capaz de formular uma visão de futuro de longo prazo.

 

Dentro dessa perspectiva e considerando a abordagem sociotécnica, o presente trabalho promove a inovação no pensamento do gestor público/privado, hoje consolidado numa visão de curto/médio prazo. No modelo sociotécnico de gestão participativa, é proposto como instrumento de mudança o compartilhamento da informação e a implementação de uma visão comum, de futuro, através da incorporação, por todos os níveis do sistema educacional brasileiro e pela sociedade tomadora de decisões, dos princípios-chave estratégicos de um Brasil sustentável para o cidadão brasileiro."

 

Confira a íntegra do trabalho no link http://www.google.com/url?q=http%3A%2F%2Frepositorio.cti.gov.br%2Frepositorio%2Fbitstream%2F10691%2F247%2F1%2FGreece%25202012%2520-%2520paper6.pdf&sa=D&sntz=1&usg=AFQjCNHt9lF0cWqWmiRcI69lwa5i9ZPJbA