Seguidores

quinta-feira, 21 de junho de 2012

CONSUMO SUSTENTÁVEL É ESCOLHA PESSOAL E POLÍTICA, AFIRMAM DEBATEDORES SOBRE CONSUMO SUSTENTAVEL

“A Rio +20 está discutindo a erradicação da miséria como forma de sustentabilidade e a educação e as tecnologias estão sendo vistas como aliadas. Já existem muitas inciativas acontecendo, mas são pouco vistas. Daí a importância deste debate”, afirmou a secretária geral do Fórum Permanente de Desenvolvimento Estratégico do Estado, Geiza Rocha, durante a rodada de debates “Consumo + Sustentável”, realizado na sede da Fecomércio-RJ, na sexta-feira, dia 15 de junho. Na ocasião foi lançada a campanha “Seja consciente. O benefício é todo seu”, uma realização da Fecomércio sob a coordenação técnica da professora de engenharia ambiental da UFRJ, Kátia Dantas. O objetivo da campanha é promover a redução do consumo de energia, água e papel, além de orientar o comércio para práticas sustentáveis.

No debate, que reuniu empresários, representantes da sociedade civil organizada e do poder público, Geiza Rocha falou também sobre a importância do envolvimento do Poder Legislativo nas práticas sustentáveis e em como a sociedade pode participar mais ativamente ao lado da política, para a preservação dos nossos recursos naturais. “Mais do que reunir temos que disponibilizar para todos informações e dados interessantes que muitas vezes ficam restritos aos pequenos grupos”, acredita.

O professor Walter Suemitsu, da COPPE/UFRJ, falou sobre a importância dos comerciantes se responsabilizaram por aquilo que vendem. Para ele, iniciativas como a logística reversa, que responsabiliza quem produz a dar a correta destinação final aos resíduos, e a responsabilidade dos estabelecimentos comerciais neste processo. “Com a logística reversa a quantidade de resíduos sólidos diminui e se cria uma responsabilidade compartilhada no que se vende e no que se compra”, afirmou.

Para o representante da Fecomércio, Orlando Pimentel, quando se fala em sustentabilidade não é necessário apenas diminuir o consumo, mas fazer as escolhas corretas. “Tudo é uma questão de escolha e decisões políticas e pessoais. Temos que pensar não só na sustentabilidade de um produto mas também em sua cadeia produtiva”, disse.

E como exemplos de empresas que pensam na sustentabilidade, Olga Bon, da Ecomoda, falou sobre os seus produtos: “Temos uma parceria com o Instituto 'Doe seu Lixo' e profissionalizamos os catadores. Com o produto reciclado fazemos novas roupas a um preço mais acessível. Também desenvolvemos tecnologias para criar novas fibras menos agressivas a natureza. Não vendemos um produto, vendemos um conceito”, afirmou.

Já Andréia Carvalho, da Papel Semente, empresa que vende um papel reciclado que contem sementes e pode ser plantado, acredita que é preciso se reinventar constantemente porque o mundo se reinventa a cada minuto. “Não podemos ter mais as mesmas respostas porque as perguntas são outras. Temos que inovar buscando sempre mobilizar a sociedade para a sustentabilidade. Não podemos ser pessimistas, temos que agir”, conclui Andréia.

CONSUMO SUSTENTÁVEL É ESCOLHA PESSOAL E POLÍTICA, AFIRMAM DEBATEDORES

“A Rio +20 está discutindo a erradicação da miséria como forma de sustentabilidade e a educação e as tecnologias estão sendo vistas como aliadas. Já existem muitas inciativas acontecendo, mas são pouco vistas. Daí a importância deste debate”, afirmou a secretária geral do Fórum Permanente de Desenvolvimento Estratégico do Estado, Geiza Rocha, durante a rodada de debates “Consumo + Sustentável”, realizado na sede da Fecomércio-RJ, na sexta-feira, dia 15 de junho. Na ocasião foi lançada a campanha “Seja consciente. O benefício é todo seu”, uma realização da Fecomércio sob a coordenação técnica da professora de engenharia ambiental da UFRJ, Kátia Dantas. O objetivo da campanha é promover a redução do consumo de energia, água e papel, além de orientar o comércio para práticas sustentáveis.

 

No debate, que reuniu empresários, representantes da sociedade civil organizada e do poder público, Geiza Rocha falou também sobre a importância do envolvimento do Poder Legislativo nas práticas sustentáveis e em como a sociedade pode participar mais ativamente ao lado da política, para a preservação dos nossos recursos naturais. “Mais do que reunir temos que disponibilizar para todos informações e dados interessantes que muitas vezes ficam restritos aos pequenos grupos”, acredita.

 

O professor Walter Suemitsu, da COPPE/UFRJ, falou sobre a importância dos comerciantes se responsabilizaram por aquilo que vendem. Para ele, iniciativas como a logística reversa, que responsabiliza quem produz a dar a correta destinação final aos resíduos, e a responsabilidade dos estabelecimentos comerciais neste processo. “Com a logística reversa a quantidade de resíduos sólidos diminui e se cria uma responsabilidade compartilhada no que se vende e no que se compra”, afirmou.

 

Para o representante da Fecomércio, Orlando Pimentel, quando se fala em sustentabilidade não é necessário apenas diminuir o consumo, mas fazer as escolhas corretas. “Tudo é uma questão de escolha e decisões políticas e pessoais. Temos que pensar não só na sustentabilidade de um produto mas também em sua cadeia produtiva”, disse.

 

E como exemplos de empresas que pensam na sustentabilidade, Olga Bon, da Ecomoda, falou sobre os seus produtos: “Temos uma parceria com o Instituto 'Doe seu Lixo' e profissionalizamos os catadores. Com o produto reciclado fazemos novas roupas a um preço mais acessível. Também desenvolvemos tecnologias para criar novas fibras menos agressivas a natureza. Não vendemos um produto, vendemos um conceito”, afirmou.

 

Já Andréia Carvalho, da Papel Semente, empresa que vende um papel reciclado que contem sementes e pode ser plantado, acredita que é preciso se reinventar constantemente porque o mundo se reinventa a cada minuto. “Não podemos ter mais as mesmas respostas porque as perguntas são outras. Temos que inovar buscando sempre mobilizar a sociedade para a sustentabilidade. Não podemos ser pessimistas, temos que agir”, conclui Andréia.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

PREFEITURA DE SÃO PAULO ARRECADA R$ 4,5 MILHÕES EM LEILÃO DE CRÉDITOS DE CARBONO

A Prefeitura leiloou nesta terça-feira (12/6) na Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros de São Paulo (BM&F Bovespa) um lote de 531.642 toneladas de crédito de carbono provenientes do Projeto Bandeirantes de Gás de Aterro e Geração de Energia. A quantia total arrecadada, cerca de 4,5 milhões de reais, será investida em projetos de melhorias das áreas do entorno de aterros sanitários.

 

A Prefeitura leiloou nesta terça-feira (12/6) na Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros de São Paulo (BM&F Bovespa) um lote de 531.642 toneladas de crédito de carbono provenientes do Projeto Bandeirantes de Gás de Aterro e Geração de Energia. Cinco empresas se inscreveram para participar do leilão, mas apenas três deram lances. A empresa vencedora, a suíça Mercuria Energy Trading SA, pagou 3,30 euros por tonelada, em um agio de 22,22% em relação ao preço mínimo, de 2,70 euros. A quantia total arrecadada, cerca de 4,5 milhões de reais, será investida em projetos de melhorias das áreas do entorno de aterros sanitários. O secretário municipal de Finanças avaliou o leilão como um sucesso. “Conseguimos uma oferta significativa que será aplicada em melhorias ambientais necessárias à população que reside próxima aos aterros”, disse o secretário, que também estimou um prazo de 45 dias para a liberação do montante ao município. “A empresa já ganhou outros leilões da Prefeitura e já tem registro na ONU. Então, consequentemente, a liberação do recurso ocorrerá com maior rapidez”, explicou. O dinheiro arrecadado com a venda dos créditos é sempre direcionado ao Fundo Especial do Meio Ambiente (FEMA), e, assim, revertido para projetos ambientais. De acordo com o secretário municipal do Verde e Meio Ambiente já há um projeto escolhido como destino para o dinheiro arrecadado com o terceiro leilão de créditos de carbono.

 

“Os recursos serão aplicados no Parque Linear Perus, na região da Zona Norte”, disse. O local de construção, uma área equivalente ao Parque do Ibirapuera, foi escolhido para beneficiar moradores que vivem no entorno do Aterro Sanitário Bandeirantes. O projeto prevê a construção de uma praça acervo, mirante, viveiro, além de equipamentos públicos de lazer, esporte e  entretenimento. Apesar de funcionar como um pólo de lazer para a comunidade, o objetivo maior da obra é acabar com as enchentes em Perus. Para tanto, também está programada no projeto a reservação e ampliação da Bacia do Córrego do Perus. Esse é o terceiro leilão de Créditos de Carbono organizado pela Prefeitura de São Paulo. O primeiro, ocorrido em setembro de 2007, vendeu um lote de 808.450 toneladas provenientes também do Aterro Bandeirantes do período de dezembro de 2003 a dezembro de 2006, com a arrecadação de 34 milhões de reais.

 

O segundo, que ocorreu em setembro de 2008, rendeu 37 milhões de reais e ofertou dois lotes distintos, um com 454.343 créditos procedentes do Aterro Bandeirantes do período de janeiro de 2007 a março de 2008, e o outro, com 258.657 créditos gerados no Aterro São João, entre março de 2007 e março de 2008. Geração e venda dos Créditos de Carbono Os créditos leiloados foram gerados por meio de um projeto de aproveitamento dos gases produzidos por aterros sanitários. A decomposição do lixo produz o biogás, mistura que contém metano e dióxido de carbono. Nos aterros Bandeirantes, na Zona Norte, e São João, na Zona Leste, o metano é captado, compactado e transformado em fonte de energia elétrica. A usina do aterro Bandeirantes tem capacidade para produzir 175 mil Mwh/ano. Vale destacar que o leilão em questão é proveniente apenas do Aterro Bandeirantes. Esse sistema evita a liberação anual de mais de um milhão de toneladas de metano na atmosfera e minimiza os riscos de explosão nos aterros. Cada tonelada de metano que deixa de ser despejada no ar gera um crédito de carbono, que certifica a redução de poluição. Para obter este certificado, o projeto foi credenciado junto à Organização das Nações Unidas (ONU) e apresenta relatórios regularmente sobre suas atividades.

 

A captação e queima do metano nos aterros sanitários municipais Bandeirantes e São João, a partir de duas usinas de biogás, permite a emissão de créditos de carbono pela United Nations Framework Convention on Climate Change (UNFCC). Todo o processo do leilão é on-line, tornando-o mais barato e transparente. Para participar, os compradores se cadastram na Bovespa, que inclui a apresentação de documentação e de garantias financeiras. O preço mínimo de venda é definido na véspera, por uma fórmula que se baseia na média das últimas cinco cotações de créditos de carbono do mercado europeu. No dia do leilão, os compradores têm 60 minutos para apresentarem seus lances e o vencedor é conhecido. Destinação da verba dos leilões Após o pagamento e a transferência dos créditos, os recursos são encaminhados ao FEMA e investidos em melhorias ambientais e de qualidade de vida para a população vizinha dos aterros. Há dois projetos distintos, separados de acordo com os dois aterros sanitário da cidade.

 

O projeto Bandeirantes financia intervenções na região das    subprefeituras Perus e Pirituba/Jaraguá. Para decidir como os recursos serão aplicados, ocorrem discussões que envolvem a administração pública e a população. As propostas são discutidas pelo Conselho do Fundo Especial do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Confema). O parque Anhanguera, na região de Perus, foi um dos espaços verdes beneficiados pelo projeto Bandeirantes. Receberá uma Escola de Marcenaria, um Viveiro e continuação da obra de ampliação do Centro de Reabilitação de Animais Silvestres.

 

Também na Zona Norte, haverá a implantação do Parque Linear Perus, localizado próximo do córrego Ribeirão Perus. Na Zona Leste, está prevista a instalação do Parque Nebulosas e do Parque Limoeiro. Já estão em execução a implantação do sistema hidráulico, da iluminação e do cercamento do Parque Sapopemba. Outro projeto que recebe os recursos é a urbanização da favela Bamburral, em Perus, que inclui infraestrutura, espaços comunitários, canalização de córrego e a construção de quatro blocos lineares, que abrigarão 260 unidades habitacionais para atender famílias que serão removidas de áreas de risco. Fonte: http://www.prefeitura.sp.gov.br/portal/a_cidade/noticias/index.ph\p?p=49955

terça-feira, 19 de junho de 2012

O socioeconomista franco-polonês Ignacy Sachs abrilhanta a Cuplula do Povos no Rio em conferencia junto com o antropólogo, sociólogo e filósofo francês Edgar Morin

O socioeconomista franco-polonês Ignacy Sachs, aos 85 anos, é um pensador em plena atividade. Sua longa e bela trajetória está marcada por participações em eventos importantes. Esteve presente na organização da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente, em Estocolmo, realizada em 1972, e na Cúpula da Terra – Eco-92, no Rio de Janeiro. E já confirmou que deixará sua contribuição durante a Rio+20, participando de eventos paralelos no Rio de Janeiro e em São Paulo, entre os dias 13 e 23 de junho.

 

Com uma carreira acadêmica dedicada, em grande parte, ao Centro de Pesquisas do Brasil Contemporâneo na Escola de Altos Estudos de Ciências Sociais (Paris), do qual foi diretor, é reconhecido por ser um dos criadores do conceito do ecodesenvolvimento, que propõe o crescimento econômico no contexto do desenvolvimento social e proteção ambiental.

 

Em entrevista, ele faz uma análise sobre economia verde e governança global e propõe alternativas possíveis de negociações para a Rio+20.

Responsabilidade Social - Após uma experiência de mais de quatro décadas, quais são os caminhos da governança global e da sustentabilidade que o senhor considera necessários, tendo em vista o contexto da crise econômica?

 

Ignacy Sachs - Os mercados deixados a si mesmos têm a vista curta e a pele grossa. Por isso, devemos recolocar no centro das nossas preocupações a volta ao planejamento em longo prazo, visto que, os computadores tomaram o lugar dos "ábacos" (antigo instrumento de cálculo).

Dispomos hoje de um vasto conjunto de experiências de planejamento, muitas delas fracassadas, assim mesmo, suscetíveis de um exame crítico de maneira a propor para o futuro paradigmas eficientes de planejamento democrático, baseado no diálogo entre todos os atores sociais e estruturado ao redor do tripé: objetivos de desenvolvimento sociais, condicionalidade ambiental e viabilidade econômica, esta última por construir.

 

RS - A ecossocioeconomia tem compatibilidade com o que está se propondo como economia verde? Por quê?

IS - A ecossocioeconomia deve se esforçar por utilizar, sempre que possível, recursos renováveis pertencentes à "economia verde", tomando o cuidado de respeitar as condições de sua renovabilidade e obedecendo a preceitos de justiça social na repartição do produto. Por isso, a minha preferência vai à bandeira portuguesa: "verde – vermelha". De qualquer modo, devemos evitar a criação de uma economia verde ao serviço de uma minoria privilegiada.

 

RS - Quais são suas propostas e perspectivas para a Rio+20, agora, em junho? Qual será sua participação no evento?

 

IS - Idealmente, deveríamos completar os fundos de desenvolvimento mobilizados internamente em cada país para a criação de um grande fundo de desenvolvimento internacional, alimentado por 1% do Produto Interno Bruto (PIB) dos países ricos (um tema várias vezes colocado no debate internacional e nunca implementado).

 

Essa iniciativa somada à taxa Tobin (tributo proposto pelo economista norte-americano James Tobin, da Universidade de Yale) sobre as especulações financeiras, além de um imposto sobre o carbono emitido com o duplo propósito de frear as emissões e gerar recursos para o desenvolvimento. Por fim, considero importante haver pedágios sobre ares e mares sob a forma de um percentual acrescentado às passagens aéreas e aos fretes marítimos.

 

Penso que poderíamos, assim, chegar facilmente a 2% do PIB mundial, ou seja, aproximadamente um décimo de todos os investimentos, quantia suficiente para reorientar o rumo da economia mundial.

 

Para que recursos tão volumosos não se percam em investimentos duvidosos, as Nações Unidas deveriam reforçar simultaneamente os programas de cooperação científica e técnica voltados ao melhor aproveitamento dos recursos renováveis de cada bioma, privilegiando, portanto, na cooperação internacional, os paralelos e, não, os meridianos.

 

quinta-feira, 14 de junho de 2012

SÃO PAULO PREPARA MAIOR MERCADO DE CARBONO DO PAÍS

A BM&FBovespa, maior bolsa de valores latino-americana, será parceira do governo estadual na iniciativa

 

Analistas consideram que a meta de redução de 20 por cento nas emissões até 2020 é quase impossível de ser alcançada

 

São Paulo - O governo paulista anunciou nesta terça-feira planos para criar um mercado decarbono que poderá no futuro ser associado a um esquema semelhante que está sendo desenvolvido no Rio de Janeiro.

 

São Paulo responde por um terço do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, e vigora no Estado uma rigorosa lei que estipula uma redução de 20 por cento nas emissões de gases do efeito estufa até 2020, em relação aos níveis de 2005. Isso significa limitar as emissões a 98 milhões de toneladas de dióxido de carbono ou equivalente.

 

"Isso é uma prioridade para o governo. Esperamos ter o mercado funcionando o mais breve possível", disse a jornalistas o secretário estadual do Meio Ambiente, Bruno Covas. "Nós já estamos conversando com as indústrias sobre as metas. Essa é a grande dificuldade a ser vencida, definir o tamanho dos cortes nas emissões".

 

A BM&FBovespa, maior bolsa de valores latino-americana, será parceira do governo estadual na iniciativa.

 

O esquema fluminense de mercado de carbono será formalmente lançado neste mês, e o presidente da BM&FBovespa, Edemir Pinto, disse que no futuro poderá haver uma vinculação entre os dois mercados de carbono dos mais ricos Estados brasileiros, embora por enquanto não haja planos concretos nesse sentido.

"Nós podemos promover a interconectividade com outros mercados, em nível nacional ou internacional", disse Pinto.

 

Ele acredita que o mercado paulista de carbono possa estar operacional já no final do ano se o governo acelerar a definição de metas e regulamentos.

 

A RIQUEZA DAS NAÇÕES - UMA ABORDAGEM ALTERNATIVA DA MEDIDA DE BEM ESTAR NACIONAL

O produto interno bruto, mais conhecido por suas iniciais PIB, tem sido a medida de bem estar preferida dos economistas por mais de 70 anos. Mas ela tem limitações, como, por exemplo, não levar em conta a degradação ambiental e excluir serviços não remunerados como trabalho voluntário e doméstico. Nas palavras de Bob Kennedy, em discurso de 1968, “o PIB mede tudo… menos o que faz a vida valer a pena”. Em uma tentativa de lidar com essas deficiências, a OECD, um centro de estudos que foca principalmente em países ricos, criou o índice “Vida Melhor”. Já em seu segundo ano, o índice usa 24 variáveis (que incluem tanto dados “duros” como dados de pesquisas de opinião) de 11 setores para gerar uma medida de bem estar para 34 de seus países membros, mais Brasil e Rússia. A Economist agrupou esses 11 setores em quatro categorias mais amplas. Os EUA se saem bem em relação a dinheiro e empregos, a Suíça em relação a saúde e educação. Neste ano, a OECD ajustou o índice em relação à igualdade para gerar uma estimativa para os 20% mais ricos e 20% mais pobres da população de cada países. A pontuação dos EUA é particularmente ruim nesse caso, sendo que os 20% mais pobres ficam com uma pontuação 25% abaixo dos 20% mais ricos.

Fontes: The Economist - The wealth of nations

quarta-feira, 13 de junho de 2012

ALTERAÇÃO NO TRANSPORTE PODE REDUZIR GÁS DO EFEITO ESTUFA

A utilização dos modais ferroviário e hidroviário no transporte de açúcar e etanol no Brasil pode levar, em três anos, à emissão de menos 6,6 milhões de toneladas de gás carbônico (CO2), um dos Gases do Efeito Estufa (GEE). A estimativa faz parte de pesquisa da economista Maria Andrade Pinheiro, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba. Atualmente, a maioria dos trajetos utiliza o modal rodoviário, segundo maior consumidor de energia e responsável por 58% das cargas transportadas no País.

 

Açúca e etanol necessitarão de malha de transporte mais equilibrada e limpa

 

A pesquisadora estimou os benefícios da redução das emissões de gases de efeito estufa a partir da mudança da matriz de transporte nacional, implicando assim uma utilização mais eficiente, tanto em termos energéticos como em termos econômicos, dos modais de transporte no setor sucroenergético (produção de açúcar e etanol). O estudo avaliou o sistema atual de transporte, identificando os principais corredores rodoviários, ferroviários e hidroviários utilizados para o transporte dos produtos dos complexos sucroenergético e identificou as configurações que reduzam as emissões de gases de efeito estufa por tonelada transportada.

 

Segundo a pesquisa, orientada pelo professor José Vicente Caixeta Filho, do Departamento de Economia, Administração e Sociologia (LES), tanto o açúcar como o etanol possuem uma enorme demanda potencial, que necessitará de uma malha de transporte mais equilibrada e limpa, pois a não ampliação das vias de escoamento pode gerar problemas não só financeiros como também impactos perversos ao meio ambiente. O trabalho foi apresentado no Programa de Pós-graduação em Economia Aplicada da Esalq.

 

Maria afirma que a expansão da malha ferroviária e hidroviária para o caso do açúcar e da dutoviária no caso do etanol, propicia uma redução das emissões de CO2 a cada tonelada de carga transportada, bem como a diminuição do custo de transporte envolvido no seu escoamento. “Além disso, as obras de infraestrutura poderão gerar benefícios econômicos e ambientais para o setor, pois esses poderão conquistar créditos de carbono e comercializá-los no mercado de carbono, assim como novos mercados consumidores, pois o produto terá uma marca sustentável e, por fim, contribuir para que o Brasil cumpra suas metas voluntárias de redução das emissões de gases de efeito estufa”, explica.

 

Emissões

 

Os dados do trabalho mostram que, no período de três anos, será possível reduzir as emissões no transporte de açúcar e etanol em 6,6 milhões de toneladas de CO2 e R$ 3,3 bilhões. “Se considerarmos a redução das emissões previstas pelo setor sucroenergético para 2020 que é de 112 milhões de toneladas, a mitigação anual de 2,2 milhões de toneladas de CO2 obtida através da transferência de modalidade para o escoamento de açúcar e do etanol equivaleriam a quase 2% dessa meta” afirma a economista.

 

“Em termos monetários esta seria uma economia com a logística que teria como ponto direto uma melhoria na competitividade dos produtos, sem levar em consideração os benefícios que um transporte mais sustentável traria para a sociedade e para a imagem do setor”. Entretanto, Maria ressalta que não basta, apenas, as obras ficarem prontas. São necessários incentivos ao embarcador para o uso de modais alternativos ao rodoviário.

 

“Além de a infraestrutura estar disponível para ser utilizada é indispensável que sejam adotadas medidas que tragam segurança para que os embarcadores optem por esse tipo de transporte”, observa. “É preciso ainda que sejam resolvidos problemas mais estruturais como os de diferença de bitola, falta de vagões para o embarque e direito de passagem entre as concessionárias das linhas férreas”.

 

Segundo a economista, não se pode desconsiderar também que o valor do frete a ser praticado tenha preços relativos competitivos entre os modais, considerando as características especificas de cada um deles e tenha consenso com a realidade do mercado e que os produtores e compradores tenham segurança de que a carga chegará ao seu destino sem extravios e nos prazos estipulados. “Sem a melhoria desses fatores não haverá ampliação da malha intermodal que fará com que seu uso torne-se mais intenso”, conclui. FONTE: Ana Carolina Miotto, da Esalq